Estava sentado na calçada como um garoto assustado. Máquina fotográfica, convite de festa, carregador de celular, tudo isso repousava na calçada como se estivessem velando a mim mesmo enquanto eu me equilibrava apoiando-me em meus pés e encostado em um poste de uma esquina qualquer.
Se contabilizasse todas as lágrimas encheria um copo? Talvez. Mas sem dúvida cavava um poço de desespero e angústia. Talvez um pouco demais, justificado apenas por aquele que espera sempre muito. O pouco enlouquece, o nada mata e o tudo é o suficiente. Mas as idéias já tinham fugido e tentava então organizar cada uma das coisas que rodeavam a minha cabeça.
Não conseguia nada, mas comecei a ser o mesmo trouxa que sofre calado sempre, talvez aquilo era a meta de agora. Nasci para ser esse idiota que tenta achar uma justificativa para tudo, onde justificar é tornar algo justo e era exatamente isso que eu sozinho fazia, sem ajuda alguma por erros que nem eram meus. Mas certamente essa é a minha missão de vida mas eu não estava disposto. Resolvi então levantar, recolher meus objetos e tentar aproveitar alguma coisa.
No final? Algumas palavras saíram no momento certo, outras continuaram entaladas. As lágrimas não rolaram porque eu já havia novamente assumido o papel de trouxa que aguenta a tudo e cede a tudo, mas teria um fim, justificável inclusive. Ou um novo começo, mas já não era algo que estava em minhas mãos.
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