Vem para ficar. Se não for para ficar, nem vale a pena tentar e nem se aproximar.

—  Matt Oliveira.

 

      Quantas manhãs eu não acordei olhando pro celular, esperando que você tivesse dado um bom dia… tardes, noites em que eu fitava o celular de canto de olho ou deixava ele sempre à vista em uma mesa de bar para ter a certeza de que não chegaria nada. Um emoji solitário, qualquer coisa, pra eu saber que por uma fração de segundos eu estive ali. Mas estive ali o suficiente não pra você apenas lembrar que eu existia, mas pra eu fazer falta. E você sabe, uma saudade bem sentida acaba com qualquer orgulho, né? Mas nem chegou. não chegou absolutamente nada. E com o tempo eu fui me acostumando. Parei de ficar esperando, deixei de olhar o celular freneticamente achando que algo poderia chegar. Pior ainda, quantas noites eu não passei esperando uma resposta de alguma mensagem que eu tivesse enviado? Mas fui deixando isso pra lá. Tentando esquecer, distrair, abstrair.

 

       Hoje eu acordo mais livre. Abro um jogo qualquer pra me distrair, levanto preguiçosamente, tomo um banho e vou pro trabalho. Aprendi a focar mais nele. Aprendi tanto com a tua falta, talvez mais do que com a tua presença. Mas sempre ficou algo no fundo, ainda que muitas vezes inconsciente, que esperava o celular vibrar com o teu nome. Vibrava o celular e todo o meu ser. Mas hoje eu entendo, se não é pra ficar, realmente não vale se aproximar, né? E o tempo foi passando. Eu apaguei todos os rastros, as mensagens, a playlist.

 

       No final das contas a gente acabou saindo de novo. Nem lembro como aconteceu. Mas cara, você não tem ideia como é, quando eu te vejo. É como se houvesse um revéillon particular em cada célula do meu corpo. O mundo muda de cor. Conversamos, sentamos em uma mesa na calçada pra tomar um milk-shake qualquer. O sabor nem importava, porque o sabor que eu queria sentir era o do teu beijo. E nos beijamos, com a mesma intensidade e paixão de todas as outras vezes. De novo aquela droga correndo pelo meu sistema nervoso. De novo você. E eu, por um curto período de tempo, voltei a ter esperanças. Talvez com o tempo, a ausência, a falta, as coisas seriam diferentes. Você falou que seriam diferentes. Perguntou se poderíamos ter uma nova chance. Um (re)começo. De novo eu passei dias esperando algum sinal, refiz a playlist, me enchi de sonhos. Não durou nem alguns dias. E eu me esvaziei de novo. Até quando?

 

      Eu odeio a inconstância da vida, mas acabei me acostumando com a tua. Me acostumei com a tua ausência. Você foi virando uma playlist do passado, um beijo que ficou na memória, uma pele que eu juro que eu nunca vou esquecer. Ou a cueca amarela. O sorriso. O abraço. Porque você precisava ser tão intenso e me arrastar com você nessa intensidade dos nossos encontros como se fosse um tsunami de esperança? Passei a dormir abraçado a um travesseiro, coisa que eu sempre odiei. Esperando que um dia, você ou alguém, seja o meu travesseiro. Mas me acostumei a ser só. Aprendi a ser completo sem ninguém. Hoje o travesseiro está guardado em algum lugar, junto com as tuas lembranças. Você me pediu um novo começo e eu sempre te dei as chances. Inúmeras chances de me provar que valia a pena. Que você valia a pena. E independente de tudo o que tenha acontecido, eu sempre vou carregar essa ideia de que vale a pena. Você é demais, pena que você não percebe isso. Prefere ficar passando de um braço qualquer a outro. De uma boca a outra. Quando você vai perceber que eu sou teu encaixe perfeito? Que você vive muito bem sem mim e eu sem você, mas que juntos, somos muito maiores do que podemos um dia ser, separados, ou com um outro alguém. Nada é por acaso. Então, por favor, não seja o meu acaso. Eu quero ser o teu futuro, mas quero começar pelo teu presente. Vem ser grande comigo!

 

Bom final de semana.

 

c.e.

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