
Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.
— O Pequeno Príncipe.
O essencial é invisível aos olhos, né? E você estava lá, do meu lado, quando eu consegui chorar pela primeira vez em anos. Na verdade eu fiquei até com vergonha, e tentei me segurar um pouco, mas no final do filme eu já estava achando que você ia chamar o SAMU pra me tirar do cinema. Eu estava morrendo de vergonha de você. Imagina, um dos nossos primeiros encontros, mas você insistiu tanto em ir ao cinema, eu só fiz questão de escolher o filme, você não se opôs. Você deitou em mim, no meu peito e eu pude sentir o cheiro do teu cabelo e teu feromônio, meu perfume predileto. Se eu pudesse eu me vestiria de você. Veja bem, só se vê bem com o coração, e meu coração só consegue ver você. E talvez meus olhos também, porque fico imaginando as tuas linhas e expressões em outras pessoas. O teu jeito de falar. Acho que perdi as contas de quantas vezes eu assisti aquele vídeo teu falando de virgem em uma mesa na calçada. Se eu pudesse voltar atrás eu teria te filmado mais, te fotografado mais, apesar de você sempre ter reclamado da minha infinidade de fotos tuas. Ainda tenho todas. Guardadas no HD e na memória. Às vezes olho, vou passando as fotos e relembrando momentos. Um hotel, uma parede de uma temakeria à noite. Você… você… você…
c.e.
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