Me diz alguma coisa, vai. Me fala tudo aquilo que eu ando louco pra ouvir da sua boca. Sussurra, então. Ou me ensina a receptar telepatia. Porque eu já estourei minha cota de intuição. Diz que me adora, que gosta de mim, que sente saudades minhas e uma vontade insana de me ver em plena quarta-feira. Sei que não muda nada, mas eu preciso ouvir.

—  Gabito Nunes.



       Mas palavras são vãs. Elas passam. Quantas vezes não falamos coisas que não queríamos exatamente dizer? Bom, eu tenho a minha cota de frases ditas que eu gostaria que voltassem pra minha boca. Atitudes também. Mas no fim do dia o que conta mesmo foram as nossas ações. É o emaranhado de decisões que fomos tomando durante o dia. Aliás, são todas essas decisões rotineiras que vão dando o tom de quem somos nós no fundo. Todos os dias. 24 horas. Milhares de pequenas decisões.

         E está tudo bem. Eu estou em paz comigo mesmo. Acho que estou em paz com a vida. Entrei em um estado de quase nirvana existencial. A vida vai ficando leve quando você consegue aceitar algumas coisas. Não existe amor de contos de fadas. Não existe mágica, é apenas ilusionismo. Truques. Amor? Existe, mas demora uns bons anos para ser construído, você sabe, namorou por 6 anos e o que aconteceu? Acabou. Acho ridículo quando dizem: não deu certo? Porra, claro que deu! Por 6 anos deu muito certo, até que de repente não deu mais. Em algum ponto algo deu errado. A estrutura que foi formada na base não era tão sólida como talvez parecia. Amor não acaba. Você nunca vai deixar de amar teus pais, ou a tua irmã. Amor é construção. A paixão que é efêmera, se esvai como areia entre os dedos. É o frio na barriga gostoso, mas é igual quando você está no carro e desce uma ladeira em determinada velocidade. Você sente o frio na barriga naquela hora, e alguns segundos depois, passou. Paixão é isso, mas é uma boa base pra começar a construção do amor. Claro que o amor também acontece de formas inesperadas. Às vezes a gente tá lá, convivendo sem pretenções e de repente começa a ver a pessoa com outros olhos, depois de sei lá quanto tempo. Isso acontece. A vida é completamente imprevisível e o amor é símbolo máximo disso. Às vezes demora, às vezes você se apaixona pelo melhor amigo de infância e vive feliz com ele por toda a vida, às vezes ele bate à sua porta depois do terceiro casamento, aos 58 anos. Quem vai saber?

         Mas quem pode dizer que é tão errado assim eu ser apaixonado? Por você. Ou um eterno apaixonado pela vida. Eu sou um combo de tudo o que me passou. Você também. Você é a soma de tantas coisas, que eu acho que ainda não inventaram calculadora científica ou computador capaz de calcular você. E quem precisa desse cálculo? Afinal de contas, você sabe, no final do dia, nós somos infinitos. Eu e você. Cada um com a sua vida, seus sonhos, planos e emoções. Mas você sabe, sempre vai haver uma jaqueta amarela, uma playlist, uma esquina qualquer. Sempre haverá tudo o que nos passou, em conjunto, e que, de alguma forma, também contribuiu para o que somos hoje. Você é parte do meu todo e eu sou do teu. E eu deito a cabeça no travesseiro todas as noites, porque eu sei, que não importa quanto o céu está nublado, as estrelas sob o teto, sempre serão as mesmas.

           Até amanhã.

c.e.


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