Hoje, meio que sem querer, se tornou um divisor de águas na nossa história. Eu te mandei um email e me despedi. Mas antes eu preciso voltar um pouco. Ontem: resolvi assistir uma série. Na verdade me atualizar, já que a terceira temporada havia começado e eu não. Assisti dois episódios e algo muito estranho aconteceu. Eu chorei. No começou foi uma lágrima discreta. Cheguei a fotografar a lágrima represada, pendurada no centro do meu olho, pronta pra cair. Eu queria mostrar pras pessoas que eu não estava morto por dentro, apesar de parecer. Acho que andei muito vazio ultimamente, represando coisas que eu não gostaria. Até que a represa deixou um pequeno vazamento. Não foi aquele choro aliviante, ao contrário, veio com um peso difícil demais pra carregar: você. Foi aí que eu decidi te mandar um email. Não como o dos dias anteriores. Foi uma despedida, um adeus em alto e bom tom e que espero seja definitivo dessa vez. Cansei das nossas idas e vindas. Mas eu vou continuar o projeto, vou continuar escrevendo os meus dias pra ti, mas sem você saber. Você não vai mais receber as minhas cartas, elas serão só pra mim. Quem sabe um dia, elas não se transformem em um livro e você passe em alguma calçada da vida e o veja em uma vitrine de um sebo qualquer. Empilhado entre tantos outros. Talvez você se surpreenda, sorria, ou ignore. Espero que, se um dia chegar a esse ponto, isso já não me faça diferença alguma.
     Os dias irão continuar com as cartas porque, não é porque eu te disse adeus, que eu vou te esquecer. Eu me despedi do físico, mas o sentimento ainda continuará aqui dentro. Até sumir. Até apagar. Você sabe, nenhuma ferida fica aberta, nenhum amor dura para sempre. Nós não duraremos. E acho que a existência vai muito além de uma vida, então, que você fique para a próxima. Desculpa, eu não conseguia mais levar isso adiante. Um dia você vai entender, ou não. Não vai ter importância. Guardei a importância toda pra mim. Resolvi colocar alguns pontos finais onde haviam apenas vírgulas. Você sabe, nenhum texto dura para sempre e você também não. Pelo menos não aqui dentro. Você agora é o ponto final da história e eu vou continuar através das minhas cartas, porque no final dessa história eu ainda sou infinito.
c.e.

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