Acho que tenho tudo que quero. Quando quero cerveja, bebo cerveja. Quando quero vodka, bebo vodka. Quando quero você, bebo vodka.

—  Soulstripper.


      Acho que isso me assusta um pouco. Hoje é sábado e tenho um aniversário. Acordei com uma terrível enxaqueca, mas não vou entrar em detalhes sobre isso. O que me assusta é que eu comecei a beber. Veja bem, eu nunca gostei do sabor do álcool. E não gostei quando provei aquela bebida que você sempre me dizia estar bebendo quando saía. Parecia bacana, via nas tuas fotos. A cor me atraía, mas eu não gostei do sabor, era um pouco amargo e eu prefiro coisas mais suaves. E bem… cá estou eu, em mais uma semana em que eu tomei algumas vezes esse mesmo drink, e cheguei no aniversário procurando você no cardápio. Não tinha.
      Parece que estou te bebendo aos poucos, pra tentar te esquecer. Será que eu posso afogar você dentro de mim em álcool? Estou tentando, mas o que adianta? Você sempre estará no fundo do copo, da música, da rua, da mente. Não quero me tornar um alcoólatra e você nem valeria à pena, sejamos honestos. Mas eu preciso parar de ficar te procurando nas bebidas e bares da vida. Dizem que quando a gente para de procurar é que acha, e eu diria que, assim como a Florbela Espanca diz em seu poema “Amar!”: é preciso perder-me para me encontrar. Só preciso largar um pouco o copo, a mania, a saudade. Beber não vai me fazer te esquecer, só me faz te lembrar cada vez mais.
       Bom sábado.
c.e.

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