– eu sou a calmaria da tua tempestade
Carlo Enrico
Você já parou pra pensar que todo furacão tem um nome? E não é um nome totalmente aleatório, são nomes de pessoas, que vão sendo dados em ordem alfabética. Mas isso me colocou pra pensar e fazer aqueles paradoxos malucos na minha cabeça. Vai me dizer que já não passaram verdadeiros furacões pela tua vida, daqueles que quando vão embora você precisa de uns momentos até pra lembrar qual o teu nome? Pode ser um furacão de um dia, uma noite qualquer por aí, ou uma dessas tempestades tropicais que duram meses ou anos. Acho que não foi à toa que passaram a dar nomes de pessoas aos furacões e tempestades. É só um reflexo da vida. Vai ver já fomos também o furacão na vida de alguém, a pessoa que passou e só deixou um estrago.
Gosto da calmaria que precede a tormenta, e daquele momento de absoluta tranquilidade quando estamos exatamente no meio do negócio. Pra quem já assistiu aquele filme twister sabe bem o que eu estou falando, quando falo da calmaria no olho do furacão. É aquele momento em que boa parte do estrago já começou, e você para e consegue olhar a coisa exatamente de dentro, analisar a situação, entender e pensar, pensar e pensar. Às vezes a gente foge, acha um jeito de correr, mesmo sabendo que o estrago é inevitável. Em outras, a gente conscientemente, ou não, se joga pra dentro do furacão de novo, abraça a tempestade e ainda diz que ama. Fazer o quê, às vezes a gente gosta mesmo é do estrago. Essa coisa de tempo aberto, Sol, é lindo de se ver, mas não tem emoção. Eu já te falei isso, se for pra vir, dessa vez é bom vir com tudo que eu gosto do estrago. Eu posso elencar diversos furacões que passaram na minha vida, e todos eles, obviamente, tinham um nome, mas acho que estou preso em um, com o teu. Não sei se estou no olho dele, ou se o estrago já foi. Eu gostaria de saber, de poder agir de alguma forma. Abraçar a tempestade, fugir, correr, me esconder. Ter algo para agir. Queria estar no olho dele agora, porque eu pelo menos saberia que ainda teria muito estrago pela frente até ele ir embora. Até você ir embora. Mas eu acho que você já foi. Só ficou a bagunça pra trás.
Enquanto isso eu estou aqui, pensando no estrago que você deixou. No estrago que você ainda poderia fazer, ou quem sabe aparecer pra arrumar a bagunça que ficou. E eu nem tive tempo de me esconder, de me enfiar em um bunker qualquer, foi tudo rápido demais. Intenso demais. Se todo furacão tem um nome, olha, parabéns, você foi a minha maior tempestade.
Boa semana e até amanhã.
c.e.2016

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