
acho até engraçado fazer a contagem de dias, quando no fundo eu sei que já se passou um ano e meio desde o dia 1. e tanta coisa aconteceu na minha vida que eu nem saberia explicar. mas essas cartas não são sobre a minha vida, mas sobre a nossa história. e veja bem, passamos meses sem nos falar. foram tanto que eu acho que agora, pra você, está tudo muito bem superado. águas passadas, sabe? mas eu não sei qual o prazo de validade que isso vai ter, pra mim.
mas a vida tem umas que a gente fica pensando: meu deus o que tá acontecendo? fui apresentado a um guri, há cerca de um mês e meio, talvez, não importa, linha temporal não é o forte das minhas cartas, de qualquer forma. bom, conversamos durante uma semana até nos encontrarmos e adivinha qual o denominador comum? além do meu ex que nos apresentou, claro. é o sujeito oculto, no caso: você! sabe um dos hiatos que tivemos na vida? então, ele passou a ser o personagem principal, enquanto eu estava atrás da cortina. não vou mentir que isso já aconteceu comigo também, é óbvio, nunca fiquei sentado esperando você aparecer, mesmo querendo que isso acontecesse, mas eu sabia o quanto isso era improvável. mas eu descobri, na conversa, sem querer, que ambos ficávamos com você. isso foi há muito tempo, eu sei, mas sem querer eu comecei a perceber o quanto ele era parecido contigo. até o tom de voz. eu tentei, mas sabia que nada ia se desenvolver dali. e deixei que as coisas fossem acabando lentamente.
não é nada bacana esse tipo de coisa na minha vida. você é um fantasma que fica ali, no canto, quase invisível. quando você acha que ele desapareceu, ele aparece bem na tua cara, apontando e rindo, como quem dissesse: não foi dessa vez, otário. mas tudo bem. depois que a história acabou, eu fiz uma besteira, que aliás deveria haver um placar em algum lugar pra contabilizar o número de vezes em que fiz isso. e te mandei uma mensagem. você ficou surpreso, mas como sempre, as mensagens chegavam uma vez ao dia, basicamente, naqueles teus hiatos milenares. mas dessa vez já não me afetou tanto. acho que pela primeira vez eu estava realmente preparado pra isso. até você me fazer um convite pra um projeto teu, em que eu basicamente só seria um figurante silencioso, mas teria o incrível prazer de te ver trabalhando. imagina que incrível? ver o que acontece por trás de todas aquelas fotos que você me mandava? sensacional. e desastroso. e errado. não. não posso me enganar dessa maneira. não é algo pessoal, nem íntimo, nem nada do gênero. é quase oportunista. você precisa de um favor e eu estava ali, próximo. um copiar e colar rápido. sem chance. e eu ainda não te respondi. nem é pra fazer joguinho não, você sabe que eu não faço isso. apenas eu não sei o que responder. ainda tenho tempo, eu acho. de qualquer forma acredito que amanhã eu decline o convite.
mas de certa forma isso me abalou. não por um dia ou uma semana, apenas por uma ou duas horas e passou a ser apenas algo na cabeça, incomodando de fundo. igual você virou, sabe? aquele zunido que a gente tenta fazer sumir na hora de dormir. você tinha todas as ferramentas para ser o que quisesse na minha vida, mas no final se tornou só aquela dor de cabeça chata que some com qualquer aspirina genérica.
c.e.
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