
e continuará a ser sempre um dia após o outro. carta após carta eu vou aprendendo a me reescrever. e tanta coisa foi ficando para trás junto com você. e fui me reinventando. entre um texto e outro muitas vezes passaram-se meses.
o tempo nunca foi algo lógico, muito menos a minha história. você diria que a tua vida é lógica? o universo foi criado à partir do caos e há uma beleza imensurável nisso. sim, o caos é lindo e somos todos frutos disso. mas após todo esse tempo você virou a conversa de bar. a história daquele garoto que eu fiquei há um bom tempo atrás. você se resumiu a isso. o exemplo de quem me fez bem e de quem me fez mal. nada mais. não tem mais um sentimento latente e talvez não tenha ficado mais nada mal resolvido. acho que nessa busca eu tenha me resolvido sozinho.
no abismo da vida você foi, olha que engraçado, o empurrão. só que ao invés de cair sem fim eu abri os braços pra descobrir que eu podia voar. clichê, eu sei, mas a vida é um imenso e maravilhoso clichê. mas hoje a carta é curta, a mensagem também. fazia tempo que não te escrevia mas fui obrigado a olhar pelo retrovisor em uma dessas conversas de bar e contar da última pessoa que realmente havia tido algum significado na minha vida, ainda que tão rápido.
um dia eu volto a te escrever, quem sabe no próximo bar ou um próximo gole.
c.e.
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