
veja bem, fazia 5 meses desde a última vez em que escrevi uma carta. e tanta coisa aconteceu nesse tempo em que você já não aparecia de alguma forma, que eu pensei estar superando. mas esses dias você veio curtir algo que eu havia postado em uma rede social. a única em que tivemos contato, além daquela de fotos. ficamos em um jogo de curte daqui e curte dali. daí em um momento de estranha lucidez eu entrei correndo na agenda do meu celular, como quem sabia que estava prestes a fazer algo que provavelmente se arrependeria depois, e apaguei o teu número. pronto, senti um alívio percorrer meu corpo e larguei o celular na cama enquanto jogava meu corpo para trás pensando: CONSEGUI! agora não tem o que fazer. de alguma forma, eu venci. hahaha o destino, a vida e a lady murphy olharam bem pra minha cara e começaram a rir. até parece né? precisa de alguém melhor pra me sabotar do que eu mesmo? como se eu tivesse um segunda personalidade meio diabólica, eu levantei, sentei na cama e pensei: vou mandar um e-mail. ele trabalha com isso, vai ver na hora, eu sei. e mandei. fui muito curto e direto, mandei só um: “porque?”. ah, você ia entender bem o meu recado. porquê você estava fazendo isso? reaparecendo assim na minha vida como quem talvez quisesse ficar? não tive resposta.
passado um tempo chegou uma mensagem no meu whatsapp. reparei que haviam outras no twitter, que eu, por não te seguir, nem tinha visto. você respondeu: porque ainda te quero. foi como se eu tivesse tomado uma porrada no estômago, mas com a vontade mesmo era de ter dado uma porrada no teu. fiquei revoltado. como assim ainda me quer? você nunca moveu uma palha pra isso! enfim, parece que eu sou pago pra ser trouxa, porque honestamente, quem faria esse papel ridículo de graça? eu mesmo. tentei conversar com você, entender melhor isso tudo mas na real nada mudou. era você, carente em alguma madrugada aleatória, querendo que eu fosse dormir com você. sempre o mesmo discurso, o “venha a nós o vosso reino”, sabe? sempre partindo de mim o passo, o movimento. e sabe que dessa vez tudo foi diferente? eu falei não. assim na lata! sabe? e ainda tentei inverter e falar que a distância era a mesma, mas pra variar você me enrolou e conseguiu inverter os papeis. clichê. eu sempre caio na tua. mas mantive o não. bom, se você realmente quisesse isso, você saberia onde me encontrar todos os outros dias. tava na hora de você dar alguns passos na vida.
c.e.
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