
talvez tivesse sido melhor se eu não tivesse ligado de volta. sei lá, talvez esse seja o problema. quando alguém tem a certeza que você a ama, ela não tem motivos reais para dar valor. não existe insegurança nesse ato. talvez seja exatamente esse o meu erro.
talvez tivesse sido mais fácil ter mantido as coisas como sempre foram. aquele amor platônico. aquela coisa quase épica que chega a ser irreal. não existem contos de fada. desconfie. mas deixe sempre a porta aberta. as pessoas decoram caminhos e podem voltar a qualquer momento.
talvez tivesse sido menos doloroso ter ligado de volta. às vezes um “eu te amo” mesmo em um momento de raiva ajuda a dar esperança. o silêncio desola. quando temos o silêncio em retorno, mostra que as coisas talvez não sejam as mesmas. a raiva não apaga o amor. oculta, talvez.
talvez eu tivesse que pedir desculpas. por ter me esforçado demais. essa poderia não ser a intenção. mas eu estava ali 24/7. jamais me arrependo das coisas que faço. me arrependo das coisas que não fiz. mesmo que eu tenha feito muito. não me arrependo de amar.
talvez eu tivesse que ter dado mais tempo. tudo na vida pode se adaptar e mente que diz que não. ninguém é firme como rocha, imutável. todos, inúmeras vezes durante a vida, mudam. mas só o fazem se estiverem dispostos a isso. você não pode mudar com o intuito de agradar alguém, senão a si mesmo. os outros são sempre a consequência. você tem que ser sempre a causa.
talvez tivesse sido mais fácil se nada tivesse acabado. a história talvez tivesse continuado ou terminado. será que tudo deve ocorrer somente no tempo preciso? não existem coincidências. nada pode simplesmente “acontecer”.
talvez tivesse sido mais fácil ter mandado um e-mail. existem algumas coisas que eu sinceramente não consigo entender. sumir nunca foi solução para nada. e talvez a pessoa que mais te ama também te ame. sofremos às vezes pelo medo de tentar. pelo medo de arriscar. pelo medo de ser feliz.
talvez eu não devesse ter ligado. não devesse ter dito “eu te amo”. mas eu nunca me arrependo das coisas que faço.
talvez eu devesse fazer tudo de novo.
c.e.
(esse texto foi originalmente escrito em 2008)
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