
Às vezes eu tenho vontade de resumir tudo com uma música. Sabe, a minha vida tem trilha sonora. Bem específica. É a música de uma viagem, de uma fase, de uma rua. E por mais que o ritmo seja importante para eu gostar de uma música, o que me cativa e me marca é a letra. Por isso há momentos em que escuto uma canção em situações específicas da minha vida que parece que vai além daquilo. É como uma mensagem dirigida à mim. Daí me vem uma ânsia de sair por aí cantando, pixando os muros das casas e distribuir cartazes com a letra. Espalhar para o mundo aquilo e como isso consegue traduzir o que estou sentindo naquele momento, naquele dia. É algo tão simples, tão subjetivo às vezes e tão direto em outros momentos. Músicas me traduzem melhor do que qualquer texto que eu possa fazer.
Hoje eu cheguei em casa super cansado, deitei e coloquei minha playlist. Não a nossa, a minha mesmo. E fiquei deitado escutando, prestando atenção nas letras que já sei de cor, sentindo os cheiros da memória. São tantas memórias guardadas em uma mente em expansão. Acho que é por isso que eu sempre digo que eu sou infinito, porque, por alguns instantes, deitado, com os olhos fechados ou não, escutando algumas canções que por vezes ficam repetindo, eu sinto como se meu corpo e minha mente se expandissem e tomassem conta de tudo ao meu redor. Todos os sentidos se apuram e eu me sinto mais parte do todo do que jamais senti. Nesses momentos eu tenho a certeza de que eu sou infinito. De que realmente tenho a centelha divina dentro de mim, que compartilho com todos os outros seres vivos. É nessa hora que meu corpo se sente como uma fusão nuclear e tudo passa a ser pequeno. Tão pequeno. Tão efêmero. E eu ali, deitado, ocupando um espaço que vai muito além do meu corpo. É, de fato eu posso reafirmar: eu sou infinito. Todos somos, só não descobrimos isso ainda.
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