
estava com essa palavra na mente: gratidão. pensando na forma como eu abracei duas pessoas que me ajudaram imensamente. e fiquei refletindo se meu abraço poderia, de alguma forma, transmitir o meu sentimento. e claro, isso como sempre, me colocou pra pensar.
primeiro que esperar a gratidão dos outros é um erro nosso. você nunca deve ajudar ou fazer algo pra alguém esperando que a pessoa seja grata ou mesmo demonstre a gratidão. esse erro é totalmente nosso. ninguém tem essa obrigação, ainda que para alguns de nós isso seja indiscutível. existem pessoas que são muito difíceis de serem ajudadas e, talvez, por não estarem acostumadas a isso, não sabem nem como reagir. tem uma história do filho que ajudava o pai a cortar cabelos no bairro onde vivia, de forma gratuita para as pessoas que não tinham condições de pagar pelo corte. não vou entrar em detalhes porque nem é o caso, mas chamava a atenção do garoto que algumas pessoas saíam reclamando do corte, quase ofendidas, algumas até os xingando. e o garoto questionava o pai, então, do porque ele fazia aquilo se as pessoas pareciam ser tão ingratas. era evidente que o corte havia ficado bom. e então o pai dizia que algumas pessoas agiam dessa forma porque não sabiam ser gratas, não que elas não fossem, mas por orgulho e vaidade, preferiam tentar ferir o outro do que aceitar a ajuda, e agindo assim, não se sentiriam tão mal pela ajuda. bem, isso é comum na vida até quando a gente não percebe. mas cabe a nós saber fazer aos outros sem esperar o retorno.
entramos então em outro ponto, que já foi discutido até no seriado friends, em que um personagem tentava demonstrar que nenhuma ação era puramente altruísta, porque você sempre vai esperar algum retorno, mesmo que seja do universo ou de deus. então nenhuma ação seria verdadeiramente altruísta, no sentido de se fazer sem esperar nenhum tipo de retorno. algo muito bacana de se pensar, porque é mais fácil sempre olharmos as ações dos outros do que as nossas. e então, somos verdadeiramente altruístas em nossas ações? e se não formos, a ingratidão do outro tem peso na gratidão divina? não tenho essa resposta. mas posso afirmar que o sentimento de ser grato é delicioso. ele vem recheado de carinho e afeto.
e aí eu volto pro abraço. eu não sou responsável pelo que o outro pensa ou faz, se ele é altruísta de verdade ou não, mas eu, como responsável pelo que sinto e pelas minhas ações, posso e devo sim demonstrar a minha gratidão. seja em palavras ou em um abraço forte. não importa, cada um tem a sua linguagem própria do amor. o importante mesmo é saber ser grato, seja a quem te estende a mão ou mesmo à vida, a deus e ao universo. porque isso sim é nossa responsabilidade. não sejamos pessoas egoístas nem mesquinhas. vamos saber reconhecer e aceitar ajuda sim, sem medo ou vergonha. e saibamos na mesma medida, saber demonstrar nossa gratidão. espero que os meus abraços tenham dado o recado, porque eu não tenho nem como explicar o sentimento de saber que existem sim pessoas que se importam e ajudam sem nem perguntar porquê. que eu seja merecedor sim de toda a ajuda que eu precisar na mesma medida em que eu possa também ajudar a quem precisa. que meus abraços se estendam além do corpo, e que eu saiba abraçar as almas daqueles que, no escuro, me deram a lanterna e fizeram eu lembrar que eu já tenho toda a luz do mundo em mim. que me deram o guia quando eu estava perdido. porque enquanto houver ao menos uma pessoa disposta a me ajudar, eu nunca estarei sozinho. e que a minha gratidão seja sempre pura e feliz. e que o mundo saiba mais agradecer do que reclamar. doar mais do que pedir. e quem sabe, um dia, eu também não te abrace e sussurre no teu ouvido: obrigado!
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