
às terças-feiras eu ia à dermatologista, e sempre havia uma bandeja cheia de balas mastigáveis. um dia, todos ficaram me olhando e pensando se aquilo era um consultório de dermatologia ou psiquiatria, porque eu estava coberto de papéis de bala e a boca cheia, mastigando mais que uma vaca. depois de comer quase todas, eu pedi para a recepcionista esconder a bandeja. funcionou.
na última terça, eu fui rezando para eu chegar lá e as balas já terem sido comidas por alguém ansioso e desesperado como eu. ao chegar, a primeira coisa que eu vi foi a bandeja. o consultório cheio, então eu sentei e já fui colocando a bandeja no colo. imagina dividir aquelas 32 balas que sobraram? ataquei a bandeja, enfiando três de cada vez na boca, até que uma grudou. aquilo gruda de um jeito que você pensa: meu dente vai ficar embalado pro resto da vida. comi outra na esperança de que a nova descolasse a anterior. fui encapando os dentes como se fosse uma dentadura de plástico, até que me dei conta que já estava com três dedos dentro da boca, quase pedindo uma tampa de bic emprestada. lembrei que eu ainda estava na recepção, na frente de várias pessoas, que me olhavam incrédulas. fui todo cabisbaixo com a bandeja entregar pra secretária, falando: por favor, me salve. ela respondeu. a médica atrasou. levantei e falei: tá, me dá a bandeja e prometo trazer um pacote. devorei aquelas últimas balas como se fossem a cura do câncer.
no final, a médica me chamou e ainda faltavam três balas. pedi pra ela esperar um pouco, enfiando as três na boca correndo, enquanto jogava meio quilo de papel no lixo. as três últimas descolaram as anteriores e eu pude sentir meus dentes novamente. pude escutar alguém falando: imagina o nível glicêmico desse garoto? a médica fechou a porta e eu só falei: semana que vem vão voltar aquelas balas horríveis e duras de canela, né? ela riu.às terças-feiras eu ia à dermatologista, e sempre havia uma bandeja cheia de balas mastigáveis. um dia, todos ficaram me olhando e pensando se aquilo era um consultório de dermatologia ou psiquiatria, porque eu estava coberto de papéis de bala e a boca cheia, mastigando mais que uma vaca. depois de comer quase todas, eu pedi para a recepcionista esconder a bandeja. funcionou.
na última terça, eu fui rezando para eu chegar lá e as balas já terem sido comidas por alguém ansioso e desesperado como eu. ao chegar, a primeira coisa que eu vi foi a bandeja. o consultório cheio, então eu sentei e já fui colocando a bandeja no colo. imagina dividir aquelas 32 balas que sobraram? ataquei a bandeja, enfiando três de cada vez na boca, até que uma grudou. aquilo gruda de um jeito que você pensa: meu dente vai ficar embalado pro resto da vida. comi outra na esperança de que a nova descolasse a anterior. fui encapando os dentes como se fosse uma dentadura de plástico, até que me dei conta que já estava com três dedos dentro da boca, quase pedindo uma tampa de bic emprestada. lembrei que eu ainda estava na recepção, na frente de várias pessoas, que me olhavam incrédulas. fui todo cabisbaixo com a bandeja entregar pra secretária, falando: por favor, me salve. ela respondeu. a médica atrasou. levantei e falei: tá, me dá a bandeja e prometo trazer um pacote. devorei aquelas últimas balas como se fossem a cura do câncer.
no final, a médica me chamou e ainda faltavam três balas. pedi pra ela esperar um pouco, enfiando as três na boca correndo, enquanto jogava meio quilo de papel no lixo. as três últimas descolaram as anteriores e eu pude sentir meus dentes novamente. pude escutar alguém falando: imagina o nível glicêmico desse garoto? a médica fechou a porta e eu só falei: semana que vem vão voltar aquelas balas horríveis e duras de canela, né? ela riu.
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