
em 1888, o brasil aboliu a escravidão sem oferecer terra, emprego, educação ou qualquer forma de reparação.
as pessoas negras foram deixadas à margem — e continuam lá, em grande parte.
dizer que “quem quer, corre atrás” é ignorar o ponto de partida.
não é sobre esforço. é sobre acesso.
quem nasce com estrutura, rede de apoio, boa escola e sobrenome conhecido, já começa a corrida na frente.
os outros precisam abrir caminho com a própria força — enquanto ouvem que é só “se esforçar mais”.
mas isso não é mérito. é privilégio.
a herança da escravidão está viva nas estatísticas:
quem morre mais cedo, quem ganha menos, quem ocupa os cargos mais baixos, quem é mais preso, quem menos aparece nas universidades e nos espaços de decisão.
a liberdade que começou em 13 de maio nunca foi igual pra todo mundo.
e enquanto fingirmos que todos têm as mesmas chances, só vamos continuar repetindo injustiças com uma nova embalagem.
@enricopierroofc
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