
quanto tempo o tempo tem, se o tempo não soubesse quanto tempo tem?
isso deveria ser um diário. será? já nem eu sei. mas um projeto de um texto por dia. e hoje eu fiquei pensando na conversa que eu tive com a isabel. sobre o tempo. e essa frase tem ficado na minha cabeça. quanto tempo o tempo tem, se o tempo não soubesse quanto tempo tem?
estamos na faixa (ou na beira, que é meu caso) dos 40 anos. e por mais que hoje os 40 sejam os novos 30, acho válido pensar que estamos na metade da vida. ainda que há casos em que pessoas superem, e muito, a expectativa de vida, mas vamos nos ater à média. algo na faixa de 80 e poucos anos. e será que vivemos tudo? mas o principal: será que temos tempo de ainda viver tudo, no tempo que nos resta?
se pensarmos que estamos na metade, ou talvez até um pouco pra frente, a conta não vai fechar. ainda há tanto o que ver, visitar, viver e sentir, que o tempo que nos resta não é o suficiente. ouso dizer que uma vida inteira talvez não seja. carpe diem, eles dizem. viva ao máximo, viva os dias como se fossem o último e etc. ótimos clichês de coachs que tem renda suficiente para levar tudo isso ao pé da letra. mas e eu e você? pessoas comuns com boletos e empregos CLTs? continue essa reflexão. deixe ela com a minha cara. mas seja otimista, seja feliz.
talvez o problema não seja a quantidade de tempo, mas a forma como a gente mede. a gente conta em anos, em metas, em marcos importantes. mas a vida acontece mesmo é nos intervalos. nos dias comuns. nas conversas que ficam ecoando na cabeça dias depois, como essa com a isabel. nos silêncios. nos desvios.
talvez não dê tempo de viver tudo. talvez nunca tenha dado. e talvez essa ideia de “viver tudo” seja injusta com a gente. pesada demais. como se a vida fosse uma lista infinita de experiências obrigatórias. e não é. ela é feita do que cabe. do que dá. do que faz sentido naquele momento.
eu não vou conhecer todos os lugares. não vou viver todas as versões de mim mesmo. não vou sentir tudo o que existe pra sentir. mas vou sentir algumas coisas profundamente. vou viver alguns momentos inteiros. vou estar presente em certos dias comuns que, sem aviso nenhum, se tornam inesquecíveis.
o tempo talvez não saiba quanto tempo tem. e tudo bem. talvez seja por isso que ele passe. pra não nos dar a ilusão de controle. o que a gente tem não é o tempo. é o agora. meio imperfeito, meio bagunçado, mas real.
não dá pra viver como se todo dia fosse o último. isso é exaustivo. mas dá pra viver alguns dias como se fossem importantes. e eles são. mesmo quando parecem pequenos. mesmo quando são só mais um.
no fim, talvez a pergunta não seja quanto tempo o tempo tem. mas o que a gente faz com o tempo que sente. e hoje, pelo menos hoje, eu sinto que ainda dá tempo. não pra tudo. mas pra muita coisa boa. e isso já me deixa em paz.
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