dia 16/365.



ah, a sexta-feira. até o cheiro parece diferente. mas a previsão era chuva e adivinha quem veio? a temida. e claro, inundou a casa inteira de novo. não tinha como resolver o telhado de um dia pro outro e ainda mais chovendo. eu já havia aceitado esse destino. estava mais preocupado em conseguir ir do trabalho pra casa, porque novamente a cidade parecia estar em estado de calamidade a ponto de eu ficar preso dentro do carro, chegando em casa, sem nem conseguir sair de dentro.

mas sexta-feira é dia de relaxar. deixa a casa pingar as tristezas em forma de goteiras porque o que não tem remédio, remediado está. conhece essa frase? meio clichê, mas se você pensar bem, de verdade, vai ver que ela faz o maior sentido. não adianta ficar brigando com coisas que você não tem controle. a idade, talvez, vá trazendo essa lucidez. apesar de eu conhecer muita gente velha e burra.

então eu fiz o que qualquer adulto funcional faria: ignorei parcialmente o problema. coloquei mais baldes, troquei toalhas, dei nomes às goteiras mais persistentes e segui com a minha vida. uma delas virou quase um animal de estimação. se eu sumisse por cinco minutos, ela já estava fazendo barulho pra chamar atenção.

fiz algo pra comer. afinal, passar fome era a última coisa que estava nos meus planos quando o teto resolveu participar ativamente da rotina da casa. e resolvi tirar um cochilo, porque, pensei que, se a casa ia virar um caos de qualquer forma, que ao menos fosse um caos confortável.

aprendi uma coisa importante nessa sexta: nem todo problema precisa ser resolvido imediatamente pra gente seguir vivendo. alguns só precisam ser contidos. outros, ignorados com responsabilidade. e tem aqueles que a gente só observa, balde embaixo, pensando “ok, amanhã a gente conversa”.

a casa pingava. eu relaxava. e, curiosamente, estava tudo bem. talvez isso seja amadurecer. ou talvez eu só esteja cansado demais pra surtar. de qualquer forma, funcionou.


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