
eu não queria fazer um diário. propriamente dito. não era essa a intenção, sabe? a ideia era só um texto por dia. mas não precisava ser necessariamente um relato da minha vida. quem se interessaria por isso, meu deus? acho que nem eu.
o problema é que a vida acontece. e quando acontece nas entrelinhas, é aí que a gente aprende alguma coisa. é no domingo silencioso que surgem muito mais lições do que no barulhento. porque eu aprendi, desde sempre, que o silêncio também grita. às vezes mais alto que qualquer conversa inútil.
e o domingo nem foi tão parado assim, foi? acho que não. tive até minha cota de interações sociais. o problema é que a minha bateria pra esse tipo de coisa anda durando menos do que celular com cinco anos de uso. daquele que, com 30%, já começa a piscar em vermelho e, com 15%, simplesmente desliga sem aviso. educado? não. funcional? também não.
o pior é que eu não sei explicar exatamente por quê. nem como. dizem que a culpa maior é do autismo. silencioso, indelicado, inconveniente. aparece, drena tudo e vai embora sem se despedir.
eu queria escrever sobre as coisas que me colocaram pra pensar hoje. queria mesmo. mas algo segura meus dedos. meus pensamentos. talvez hoje eu tenha esgotado mais do que a minha bateria social.
talvez eu tenha gastado toda a energia tentando ser normal. e isso, convenhamos, consome mais do que parece.
Deixe um comentário