
hoje o dia foi pesado. do tipo rolo compressor desgovernado passando por cima de mim várias vezes. e não foi o trabalho, não foi ninguém especificamente. fui eu mesmo.
talvez pra quem não saiba, eu trato depressão desde os 14 anos. e, claro, ansiedade, porque uma mazela nunca vem sozinha, é tipo combo de hamburgueria. daqueles que vêm com batata e refrigerante. mas sem problemas: com o passar dos anos (e são muitos, acredite), a gente vai aprendendo a lidar com isso.
medicado, eu sou ótimo. funcional. equilibrado. mas não hoje. e eu nem sei exatamente o que aconteceu. ontem eu já não estava lá muito bem, mas hoje parece que o peso de tudo se multiplicou. e com ele vêm aquelas vontades silenciosas de não existir, de não ser, de deitar indefinidamente. tudo já estava dando sinais. eu só tinha decidido ignorá-los com certa arrogância, como se experiência imunizasse alguém contra recaídas.
não imuniza.
o corpo fala e dá sinais enquanto a minha mente grita. e, quando a gente finge que não escuta, o preço costuma ser alto. hoje me faltou o ar. literalmente. e foi aí que eu entendi que não dava pra esperar passar. não era urgente, mas era importante. importante o suficiente pra eu ligar e marcar uma consulta com a minha psiquiatra. importante o suficiente pra não romantizar o sofrimento nem apostar que “amanhã melhora”.
porque eu já estive nesse lugar antes. e eu sei onde ele pode dar.
tem coisas que não se resolvem sozinhas. não passam com força de vontade. não desaparecem com frases positivas. algumas só melhoram quando a gente pede ajuda profissional. e pedir ajuda não é fraqueza. é leitura correta da própria realidade.
se você que está lendo isso se reconhece em algum ponto, não espera. não adia. não tenta ser forte sozinho. certas dores não melhoram com o tempo. elas pioram. e quanto antes a gente cuida, menos elas nos engolem.
hoje foi pesado. mas eu me movi. eu não fiquei parado. eu cuidei de mim como deu. eu dei passo que era necessário e, só de fazer isso, parte do ar que me faltou já pareceu voltar. e não porque era “frescura” da minha mente, mas porque eu assumi algum controle sobre mim mesmo.
eu não sei se tudo vai ficar bem amanhã, ou depois, mas eu sempre levanto a cabeça e luto. porque isso é o mínimo que eu posso fazer.
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