dia 22/365.



o mundo é cíclico. mas de vez em quando eu sinto como se ele fosse uma corda. do tipo que solta, afrouxa e te dá mais liberdade um dia, e no outro puxa. hoje foi o dia em que eu senti esse puxão. mais forte. quase como um nó na garganta.

eu fiquei empilhando os problemas como se fossem aqueles brinquedos de blocos da infância. só que, em vez de construir uma cidade, eu levantei mais uma fortaleza em volta de mim. alta demais. pesada demais. tão alta que começou a ameaçar cair em cima de mim. e foi aí que eu percebi que as coisas estavam saindo um pouco do meu controle. de novo.

é estranho como isso acontece. não é de uma vez. é aos poucos. um pensamento aqui, outro ali. uma preocupação que vira hábito. quando a gente vê, já está cercado de muros que construiu tentando se proteger.

hoje não foi um dia de grandes decisões nem de resoluções heroicas. foi só um dia de perceber. perceber que eu estava apertando demais a corda. que estava tentando segurar tudo sozinho. e que isso nunca funciona por muito tempo.

não desfiz a fortaleza inteira. ainda não. mas tirei alguns blocos. deixei frestas. respirei por elas. às vezes, o máximo que dá pra fazer é isso: criar espaço suficiente pra continuar.

amanhã, quem sabe, eu solto mais um pouco. hoje, reconhecer o aperto já foi um começo.


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