
o dia foi confuso. pesado. desses que parecem começar já atrasados. contas fora do lugar, horários que não fecham, a sensação constante de que tudo exige mais do que você tem pra dar naquele momento.
tentei me organizar pra ir viajar pra ilhabela cedo, não consegui. tentei manter a calma, falhei um pouco. o dia foi meio caótico, desses que vão se empilhando até virar um peso difícil de explicar. não era uma coisa só. era o conjunto. aquele acúmulo silencioso que cansa mais do que qualquer explosão.
em algum momento, pensei em desistir. não de tudo, claro, só do plano de ir viajar. ficar. empurrar pra depois. fingir que não precisava sair. mas eu precisava. não por luxo, nem por fuga completa. eu precisava me afastar. mudar o cenário. distrair a cabeça antes que ela resolvesse fazer isso sozinha.
no fim, deu certo. não do jeito ideal, não do jeito organizado, não do jeito que eu teria escolhido num dia perfeito. mas deu. e isso já era mais do que o suficiente.
não foi sobre resolver os problemas. eles continuaram lá, exatamente onde estavam. foi sobre não deixar que eles ocupassem tudo. foi sobre entender que se afastar também é uma forma de cuidado. e eu precisava cuidar de mim, em primeiro lugar, algo que eu negligenciei por tempo demais.
o dia terminou melhor do que começou. porque alguma coisa, enfim, fez sentido. foi um caminho longo de chuva, uma viagem mais cansativa do que deveria ser. mas chegar trouxe a sensação de alívio, de paz e de distração que eu precisava. e minha mente implorava por esse fim de semana.
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