
alguém me ligou na tomada. e eu tenho quase certeza de que foi no 220v. porque, do nada, acordei com uma necessidade incontrolável de colocar tudo em ordem. no trabalho, claro. resolver todos os problemas da vida eu deixei pra outra encarnação. vamos com calma.
comecei pelos relatórios atrasados. aqueles que ficam te olhando de longe, julgando, esperando o momento certo pra cobrar. fiz todos. um por um. depois ataquei as despesas esquecidas, abandonadas no sistema havia meses. algumas já deviam ter criado família ali dentro. atualizei tudo. organizei. classifiquei. dei baixa. senti um prazer que beira o constrangedor.
em algum momento, percebi que estava gostando daquilo. e isso me preocupou um pouco. porque ninguém gosta tanto assim de planilha sem algum tipo de curto-circuito emocional envolvido. mas segui. quando a loucura vem acompanhada de produtividade, a gente não questiona. a gente aproveita antes que passe.
resolvi coisas que eu vinha empurrando há semanas. respondi e-mails que já tinham passado da fase do “desculpa a demora” e entrado oficialmente no “finjo que não vi”. fiz ligações. tomei decisões. fui uma versão estranhamente funcional de mim mesmo, dada como desaparecida há séculos.
no fim do dia, olhei tudo organizado e pensei: é isso. era só isso. não teve epifania, nem mudança de vida. só aquele alívio silencioso de quem sabe que amanhã vai dar problema de novo, mas hoje… hoje não.
se me ligarem na tomada mais vezes, eu agradeço. só peço que avisem antes. pra eu separar o café. porque eu vou precisar.
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