dia 37/365.



final de semana batendo na porta. porque sexta-feira é essa eterna espera pelo sextou. e fica sempre uma indecisão na minha cabeça: descansar o corpo e a mente ou viver? e quando eu digo viver é aí que mora exatamente o problema.

porque “viver” precisa ser sair e fazer um milhão de coisas de uma vez? quem foi que decidiu que ficar em casa virou sinônimo de desperdiçar a própria existência? existe um senso de urgência em mim que grita como se, caso eu não saísse e não fizesse algo absolutamente incrível, eu estivesse falhando em viver direito.

enquanto isso, meu corpo e a minha cabeça estão em outro canal. pedindo pausa. pedindo sofá. pedindo silêncio. pedindo qualquer coisa que não envolva gente, barulho e mais uma obrigação social disfarçada de diversão.

a parte cansada de mim quer ficar. a parte inquieta quer ir. nenhuma das duas está errada. o problema é que eu costumo ouvir mais a que grita do que a que pede.

talvez o desafio do fim de semana não seja escolher entre sair ou ficar. seja escolher não se punir por nenhuma das opções. sair sem culpa. ficar sem a sensação de estar perdendo alguma coisa.

por enquanto, eu ainda não decidi. mas só de perceber esse conflito já muda alguma coisa. eu não preciso transformar todo descanso em fuga. nem todo descanso em desperdício.

hoje eu só queria que viver não fosse tão cansativo às vezes.


Comentários

Deixe um comentário