dia 39/365.



ok, eu precisava reagir. e eu tinha planos. na verdade, compromissos, o que é bem diferente de planos. planos são aquelas coisas que você até pode fingir que nunca existiram, mas a culpa te acompanha se você tentar dormir mais um pouco.

levar duas pessoas de fora pra almoçar, junto com meu marido. em são paulo. simples. em teoria.

na prática, esbarrei num pequeno detalhe: o pré-carnaval. parece que são paulo resolveu fazer um cosplay de salvador e iniciar tudo antes. e quando eu digo iniciar, é iniciar mesmo. a cidade inteira interditada. fiquei duas horas rodando mais que mosquito em tampa de xarope, tentando chegar em algum dos meus restaurantes confortáveis.

consegui? claro que consegui. mas tudo na vida tem um preço. e o preço veio quando saímos do restaurante e havia dois trios elétricos gigantescos na rua. um exatamente em frente à porta. por sorte, ou intervenção divina, o som estava desligado. as pessoas estavam naquela vibe de zumbis de the walking dead, paradas, sem rumo. deu tempo de escapar ilesos.

obviamente, paramos pra tirar foto na frente do trio. porque a sociedade cobra que você seja uma pessoa divertida, funcional e com vida social ativa, mesmo quando tudo o que você quer é deitar no chão e fingir que virou parte da calçada.

cheguei em casa tentando descobrir como se ativa um coma induzido. não encontrei manual. tentei dormir, mas meu cérebro achou que era pegadinha e resolveu repassar todos os meus erros dos últimos quinze anos, em ordem cronológica.

pedi ifood. de novo. cozinhar estava completamente fora dos meus planos. mas não dos planos da minha mãe, que me fez fazer o jantar dela. coisa rápida. prática. sem muita dor. só alguns pingos de óleo quente no braço, pra manter o equilíbrio do universo.

o final de semana finalmente acabou. estranho. pouco divertido. sem descanso. mesmo tendo passado parte dele na horizontal e outra na vertical, termino parecendo alguém recém-retirado de uma caçamba de entulho. ainda meio anestesiado pelos remédios novos. ou talvez só nocauteado pela vida, que insiste em brincar de ufc cármico comigo.

mas, de novo: fiz o que deu. e acho que hoje… hoje eu fiz sorrindo.


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