
teve de tudo. absolutamente tudo.
almoçamos em um restaurante italiano com aquela vista que faz você pensar que a vida, às vezes, realmente sabe o que está fazendo. horas de conversa. daquelas que começam leves e, quando você vê, já estão falando de infância, de medo, de plano que nunca saiu do papel. eu estava ali. inteiro.
depois passamos na praia para encontrar o pessoal que estava na casa da minha amiga/irmã. foi nesse momento que eu tive a confirmação oficial: eu não teria sobrevivido naquela casa. não por mal. não porque alguém fosse desagradável. mas era gente demais. energia demais. conversa demais. eu já estava começando a sentir aquela coceira interna de quem quer procurar uma saída de emergência invisível.
e aí eu agradeci, mentalmente, pelo quarto que nos salvou.
voltamos para os novos amigos. mais horas de conversa. e é curioso como, depois de uma certa idade, encontrar gente que encaixa não é tão comum. ali encaixou. sem esforço. sem forçar assunto. sem precisar performar uma versão interessante de si mesmo.
à noite fomos a um restaurante japonês que conseguiu errar absolutamente tudo. tudo. o pedido parecia um jogo de telefone sem fio. nada do que veio à mesa era o que estava na nossa cabeça. rimos, claro. porque quando você já está leve, até desastre gastronômico vira entretenimento.
resultado: pizza às quatro da manhã.
e foi ali, no meio da madrugada, que eu percebi uma coisa estranha. eu tinha esquecido meu celular no carro.
isso não acontece.
eu não esqueço o celular. nunca. ele é quase uma extensão da minha mão. mas naquele dia eu tinha esquecido. não por distração. não por caos. eu tinha simplesmente desligado.
a mente.
eu estava relaxando. de verdade. pela primeira vez em muito tempo. sem alerta interno. sem notificação imaginária. sem aquele radar ligado 24 horas. sem precisar postar a minha rotina.
e talvez o maior sinal de que eu estava descansando não foi a pizza às quatro da manhã. foi o silêncio dentro da minha própria cabeça.
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