dia 48/365.



voltamos de ilhabela.

eu dormi o dia inteiro.

não é figura de linguagem. não é exagero literário. eu literalmente apaguei. acordei, tomei consciência de que estava vivo, olhei em volta, pensei “ok, estou em casa” e voltei a dormir como se alguém tivesse apertado um botão invisível.

o corpo cobrou a conta. não da viagem. da tensão acumulada antes dela. da ansiedade que me fez quase desistir. da produtividade forçada dos dias anteriores. do trânsito. das decisões. de existir.

eu sempre acho que estou bem. até parar. quando eu paro, descubro que estava funcionando no modo economia de bateria há semanas.

dormi de tarde. acordei. comi qualquer coisa. voltei pra cama. tentei lutar contra, como se descansar fosse um ato de fraqueza. perdi. graças a deus eu perdi.

em algum momento da noite, levantei meio desorientado, como se tivesse atravessado um fuso horário emocional. não tinha epifania. não tinha reflexão profunda. só um cansaço honesto sendo finalmente ouvido.

às vezes a gente romantiza o retorno. “voltei renovado”. “cheio de energia”. não. eu voltei exausto. mas de um jeito diferente. exausto porque finalmente relaxei.

descansar também é um evento. só que silencioso.

e hoje foi isso.

um dia inteiro de silêncio interno.

e travesseiro novo trazido de lembrança.


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