
viajar é maravilhoso. voltar pra casa é melhor ainda. agora… voltar pra rotina é um esporte radical.
eu fiquei poucos dias fora. poucos. mas quando entrei na empresa parecia que eu tinha feito intercâmbio na europa por um ano e meio. a sensação era de que o mundo corporativo tinha seguido sem mim, mas decidiu guardar todos os problemas num envelope escrito “entregar pessoalmente quando ele voltar”.
e entregaram.
não foi culpa de ninguém. não teve sabotagem. foi só aquela soma de pequenas coisas que, quando acumulam, parecem um desfile de escola de samba inteiro atravessando a sua mesa.
tinha pendência que eu nem lembrava que existia. cliente que resolveu ter dúvida existencial. fornecedor com criatividade contábil. planilha que, sozinha, já merecia terapia. parecia que todos os problemas tinham curtido o carnaval no mesmo bloquinho e, na quarta-feira de cinzas, decidiram se instalar oficialmente na minha sala.
eu abri o e-mail com a coragem de quem abre resultado de exame. respirei fundo. respondi o primeiro. depois o segundo. depois o terceiro. quando eu percebi, já estava no modo “seja o que deus quiser”.
o curioso é que, no meio do caos, eu estava mais calmo do que imaginei que estaria. talvez porque eu tenha dormido o suficiente. talvez porque o mar ainda estivesse ecoando na minha cabeça. talvez porque eu já tenha entendido que problema não some só porque você foi comer pizza às quatro da manhã numa ilha.
eles esperam.
mas eu também.
no fim do dia, não resolvi tudo. seria mentira dizer que resolvi. mas avancei. e deixei claro, tanto pra mim quanto pros problemas, que eu ainda tenho fé e água de coco no sistema nervoso.
viajar é maravilhoso. voltar é inevitável. encarar a pilha de coisas esperando por você… faz parte do pacote.
eu só queria que o pacote viesse com manual de instruções. ou álcool e fósforos. brincadeira. (ou não.)
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