dia 50/365.



acho que a água de coco já saiu do meu corpo. o som do mar agora só na caixa de som, como ruído de fundo pra tentar enganar o cérebro. mas a fé… essa nunca me solta. e é ela que muda o jogo. hoje mudou o meu.

foi um daqueles dias em que as peças começam a se encaixar. não tudo, claro. mas o suficiente pra você parar de olhar pra frente esperando o impacto. a luz no fim do túnel deixou de parecer um trem. e eu já não me sinto respirando por aparelhos emocionais.

calma. eu continuo tomando os remédios. não sou completamente inconsequente. se eu resolvesse parar, tenho certeza de que minha psiquiatra surgiria na porta com uma prancheta e uma expressão nada terapêutica. mas deu pra entender o que eu quis dizer.

e a fé hoje me trouxe uma virada. uma resolução quase cósmica. um  alívio discreto de quem percebe que o pior talvez já tenha passado ou pelo menos começou a dar sinal de que algumas nuvens começaram a se dissipar.

mas também teve um alerta: nem todo mundo é amigo.

e isso não é amargura. é quase uma espécie de lucidez.

não é porque alguém estende a mão que está, de fato, te ajudando. às vezes a mão vem com contrato embutido. com taxa de serviço. com juros emocionais que você descobre depois que já assinou.

tem gente que ajuda já pensando na cobrança futura. e quando a fatura chega, você percebe que o preço era alto demais pra algo que parecia tão simples.

talvez crescer seja isso também. continuar acreditando nas pessoas, mas com os olhos abertos. fé não é ingenuidade. confiança não é cegueira.

hoje foi dia de virada.

e de aprendizado.


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