dia 51/365.



tem dias em que você precisa fazer uma triagem. separar emergência, urgência, prioridade e aquilo que pode fingir que não existe até segunda ordem. porque não dá pra resolver o planeta inteiro antes do almoço. e no trabalho não é diferente.

sentei decidido. organizei tudo. plano A, plano B e plano C. os três falharam na minha frente com uma eficiência impressionante, como se estivessem ensaiados. foi tipo ver uma estátua de gelo derretendo no meio do saara. e eu ali, escorrendo junto, tentando manter uma postura minimamente profissional enquanto meu cérebro gritava e eu só pensava em chorar.

quase entrei em pânico. quase.

parei. respirei fundo. aquela respiração teatral de quem está a um passo de cometer um crime corporativo. e pensei: tudo sempre dá certo. não me pergunta como. não me pede método científico. eu só sei que dá. sempre deu. de algum jeito torto, inesperado, mas dá.

organizei de novo. priorizei de novo. respirei mais uma vez. considerei seriamente a hipótese de colocar fogo em tudo e sair correndo em câmera lenta. contive o impulso. fui pra cima.

e resolvi.

não tudo, claro. mas o suficiente pra fechar o dia com dignidade. não é à toa que, se você procurar bem no meu linkedin, vai encontrar a habilidade “consigo segurar o choro em horário comercial”. é um talento subestimado.

terminar a sexta-feira com a sensação de que eu fiz um pouco além do “deu o que deu” tira um peso absurdo das costas. algumas coisas eu empurrei pra segunda, sim. com aquela esperança ingênua de que, no fim de semana, certos problemas possam cair num buraco negro e nunca mais voltar.

vai acontecer? provavelmente não.

mas milagres não batem ponto. não respeitam horário comercial.

apaguei a luz, fechei a porta, olhei pra bagunça física da minha sala, e pra bagunça interna que o dia também deixou, e pensei: segunda-feira a gente sofre de novo.

agora? sextou.


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