dia 54/365.



a esse ponto do diário, eu acho que já ficou mais do que evidente que eu não sou exatamente um entusiasta das segundas-feiras, né?

no domingo eu dormi o dia inteiro. hoje minha mãe ia pra fábrica mais cedo. e eu fiz o quê? isso mesmo. dormi mais um pouco. porque aparentemente meu corpo entendeu “descansar” como um projeto de longo prazo. quanto mais eu durmo, mais sono eu tenho. é um ciclo sustentável de improdutividade.

acordei já com aquela sensação de que o universo tinha marcado uma reunião comigo sem me avisar a pauta.

o dia foi um compilado de decisões duvidosas, microincêndios corporativos e situações claramente enviadas para testar meu caráter cristão. nada catastrófico. mas sabe quando tudo resolve acontecer com uma leve inclinação para o caos? tipo dominó emocional, sabe?

e, surpreendentemente, eu atravessei tudo sem perder o réu primário! eu chamo isso de milagre.

me mantive firme. respirei antes de responder. não dramatizei em voz alta. não saí andando pela rua como se estivesse fugindo de um filme pós-apocalíptico. e eu atribuo boa parte disso aos ajustes da psiquiatra. porque, honestamente, em versões anteriores de mim, eu teria chorado, discutido, largado tudo ou feito as três coisas em sequência.

hoje eu só… aguentei sem agredir ninguém.

e sorri. em alguns momentos de forma genuína. em outros, de forma educada, meio sem vida. mas sorri.

talvez tenha sido um dia particularmente ruim.

 ou talvez tenha sido apenas uma segunda-feira exercendo sua função institucional de me lembrar que a vida adulta não vem com manual.

de qualquer forma, sobrevivi.

e sobreviver pra mim, numa segunda, já é um tipo de vitória existencial.


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