dia 58/365.



dia 58. sexta-feira. mas, na prática, começou na quinta à noite, porque aparentemente alguns dias não respeitam calendário.

eu acordei da soneca ainda meio grogue e peguei o celular para ver se o mundo não tinha acabado (mania da minha mãe). a tela, que já estava trincada há um tempo, resolveu evoluir o problema. apagou quase tudo. uns 70% da tela simplesmente deixaram de existir. não foi aquele apagar dramático, total. foi o suficiente para continuar funcionando, mas inutilizável.

e todos os bancos da empresa estão nele.

sexta-feira. pagamentos. boletos. transferências. compromissos que não esperam o humor do meu aparelho celular melhorar.

por alguns segundos eu só fiquei olhando para a tela preta. não tinha muito o que fazer além de aceitar que aquilo estava acontecendo exatamente no pior timing possível, como de costume. corri para o site da loja e tentei aprovar a compra no carnê, porque meus cartões vivem naquela zona nebulosa entre limite baixo, estourado ou atrasado. meu serasa não anda colaborando com a minha autoestima financeira, então eu realmente não esperava aprovação nenhuma. mas aprovou. metade no pix, metade no carnê. eu não questionei. só agradeci e finalizei.

peguei a versão mais simples do z flip. era o que cabia naquele momento. eu já estava tentando pegar dois aparelhos pela operadora, um simples para a minha mãe, que basicamente usa o celular para montar quebra-cabeça e jogar candy crush, e um top para mim, principalmente pela câmera. não estava dando certo. no fim, a vida resolveu simplificar o processo por conta própria. pelo menos agora eu posso testar a câmera com calma e, quando tiver dinheiro, decidir se fico com esse ou passo para ela e pego uma versão melhor.

de manhã fomos eu, john e nica até são paulo retirar. foi quase uma pequena odisseia urbana, trânsito, conversa atravessada, risadas no meio do caminho. apesar do estresse inicial, a gente conseguiu transformar a missão técnica em algo leve. instalamos tudo, recuperei os aplicativos dos bancos, consegui voltar para a empresa e fazer o que precisava ser feito. o problema prático estava resolvido.

no meio disso tudo, eu precisava descer para o guarujá. no sábado meu pai faria 80 anos e nós iríamos lançar as cinzas dele ao mar. eu já estava ansioso com isso há dias. talvez eu não estivesse pensando o tempo todo, mas estava ali, no fundo, como uma expectativa silenciosa. curiosamente, o celular quebrado acabou funcionando como distração. enquanto eu corria atrás de solução, não pensava tanto no que realmente me deixava inquieto.

foi um dia cheio. financeiro, logístico, emocional. mas no final deu tudo certo. os pagamentos foram feitos, o celular funcionou, eu consegui ir. às vezes a vida escolhe a gente para um pequeno teste técnico justamente quando existe um teste maior acontecendo por dentro. eu não sei se isso é estratégia do universo ou apenas coincidência, mas hoje eu consegui resolver os dois.


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