o cansaço que não passa com sono.

tem um tipo de cansaço que não melhora dormindo. eu até tento: coloco despertador, faço promessa, digo que hoje vou deitar mais cedo, apago as luzes, viro pro lado… e nada. acordo do mesmo jeito: cansado existencialmente, fisicamente, emocionalmente e, o mais brasileiro de todos, cansado tributariamente.

porque existe o cansaço normal, aquele que um cochilo resolve. e existe esse outro, mais sofisticado, mais evoluído, quase premium: o cansaço que aparece na fatura do cartão, no extrato da conta, nos boletos empilhados, nos impostos que chegam como se fossem um lembrete de que, no fim das contas, a gente trabalha para o governo e recebe uma mesada.

é o cansaço de carregar responsabilidades demais com tempo de menos. de ter que tomar decisões enquanto tudo em você só quer ficar quieto por cinco minutos. de tentar resolver a vida quando, sinceramente, você não tem energia nem pra responder uma mensagem simples.

é o cansaço que pesa no corpo, aperta na mente e arranha a alma. aquele que não grita, mas fica ali, insistente, puxando a barra da sua camisa como uma criança entediada. você tenta ignorar, não consegue. tenta dormir, não adianta. tenta meditar, melhora uns quinze segundos. tenta trabalhar, piora. tenta fugir, mas o cansaço corre mais rápido.

e não é drama. é só a constatação de que a vida adulta consome mais bateria do que qualquer carregador emocional consegue repor. você dorme pra desligar, mas acorda com o mesmo barulho interno, como se a mente estivesse fazendo download de preocupações durante a madrugada.

no final, o que resta é aceitar que esse tipo de cansaço não se cura com horas de sono, mas com coisas mais raras: paz, tempo, silêncio, organização emocional, talvez até um milagre em 12x sem juros. enquanto isso não chega, a gente segue. cansado. tropeçando. funcionando no modo economia de energia. e sobrevivendo, porque já é o suficiente.

@enricopierroofc


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