
um dia que prometia descanso. relaxar. não pensar muito. como se fosse possível desligar a cabeça com um botão invisível que alguém esqueceu de instalar.
almocei com a minha mãe, john, nica, meu irmão, um dos meus sobrinhos e ainda apareceu uma amiga da época de faculdade dele com o filho. foi agradável. daqueles encontros que não têm roteiro, mas têm presença. comida na mesa, conversa atravessada, risadas que vêm sem esforço. ela é intensa. muito intensa. muito falante. muito expansiva. muito tudo. e isso é bom, porque movimenta o ambiente, cria energia, puxa assunto, faz a mesa girar. mas tudo o que é muito também me atravessa. eu gosto de movimento, mas gosto de espaço para respirar entre um estímulo e outro. às vezes o excesso, mesmo sendo positivo, me cansa mais do que o silêncio.
depois eu dormi. boa parte do dia. não era tristeza, era necessidade. como se o corpo ainda estivesse pagando a conta emocional dos dias anteriores. tem coisa que a gente vive num sábado e só entende no domingo. e às vezes nem entende, só sente.
tentei não ver muito as notícias. a guerra. eua e israel de um lado, irã do outro. manchetes inflamadas, análises urgentes, especialistas surgindo como se o mundo inteiro tivesse feito pós-graduação em geopolítica da noite para o dia. eu me perguntei se eu precisava me posicionar. se eu precisava ter opinião formada sobre tudo o que acontece no planeta. se o silêncio é omissão ou só limite.
há uma cobrança silenciosa para que a gente esteja sempre informado, sempre engajado, sempre reagindo. como se não opinar fosse uma falha moral. mas eu não sou diplomata, não sou estrategista militar, não estou na sala onde as decisões são tomadas. eu sou um homem tentando equilibrar empresa, família, luto e sono atrasado. será que não é legítimo admitir que eu não tenho repertório suficiente para transformar conflito internacional em frase certeira de rede social?
ter opinião virou quase obrigação. mas nem toda obrigação é saudável. há dias em que eu só quero entender o que sinto sobre a minha própria vida. já é complexo o suficiente. não acho que indiferença seja virtude. mas também não acho que comentário apressado seja consciência política.
talvez a maturidade esteja em saber quando falar e quando reconhecer que ainda não sabe o suficiente para falar com responsabilidade. talvez não seja sobre se posicionar por pressão, mas sobre se posicionar quando houver clareza. e se não houver, também tudo bem.
dia 60 foi isso. almoço cheio. energia demais. sono acumulado. mundo em guerra. e eu tentando escolher quais batalhas realmente cabem dentro de mim.
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