
foi um dia mais ou menos.
voltei ao centro espírita para continuar o curso de aprendizes do evangelho. eu tinha comentado disso semana passada. é uma tentativa sincera de melhorar como pessoa, entender algumas coisas da vida, trabalhar um pouco a espiritualidade e, quem sabe, evoluir uns dois milímetros como ser humano.
até aí tudo muito bonito.
o problema é que, em algum momento da reunião, aconteceu uma coisa pequena. tão pequena que nem vale muito a pena explicar. foi uma dessas situações mínimas, quase invisíveis, que o cérebro decide transformar em algo absolutamente irresistível.
e eu tive uma crise de riso.
não foi uma risada educada. não foi um sorriso discreto. foi crise mesmo. daquelas que começam com a tentativa desesperada de segurar, o corpo tremendo em silêncio, os olhos enchendo de lágrima, e que quanto mais você tenta controlar, pior fica.
e claro que isso aconteceu exatamente no único lugar onde não deveria acontecer.
porque existe uma lei universal muito clara: quanto mais sério o ambiente, maior a probabilidade de alguém ter uma crise de riso completamente incontrolável.
eu tentei respirar fundo. olhar para o chão. pensar em coisas tristes. imposto. boleto. mercado financeiro. guerra internacional. nada funcionou.
minha risada, além de tudo, é alta. não é aquela risadinha elegante de quem se diverte discretamente. é uma risada que participa da conversa.
em algum momento eu já não sabia mais se estava rindo da situação inicial ou da própria incapacidade de parar.
o lado bom é que talvez isso também faça parte do processo espiritual. aceitar que, antes de qualquer iluminação, existe o fato simples de que eu continuo sendo uma pessoa que ri alto no lugar errado.
talvez o primeiro passo da evolução seja exatamente esse: reconhecer as próprias limitações.
ou pelo menos aprender a controlar uma crise de riso no meio de uma reunião espiritual.
o que, claramente, ainda não aconteceu.
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