
eu não sou mágico, mas aprendi a fazer umas coisas no trabalho que, honestamente, às vezes me fazem pensar que talvez eu seja um pouco.
sem exagero.
eu faço aparecer dinheiro onde não tem.
não é que ele surja do nada, claro. não é um truque elegante de palco. é mais um malabarismo meio desesperado entre prazos, contas, negociações, promessas e aquela capacidade curiosa que a gente desenvolve de esticar o possível um pouco além do que parecia possível cinco minutos antes.
é o suficiente? talvez.
pelo menos é o suficiente para atravessar alguns dias. não resolve tudo, não cria abundância, não transforma a realidade em algo confortável. mas cria pequenas passagens. pequenas pontes improvisadas entre um problema e o próximo.
o suficiente para não chorar.
só para ficar desesperado na medida certa.
existe um tipo de desespero administrável. aquele que não paralisa, mas também não deixa a gente relaxar completamente. ele funciona quase como um motor silencioso dizendo “vai, dá um jeito”.
e no meio disso tudo entra também a fé.
não aquela fé grandiosa, quase cinematográfica, de quem acredita que tudo vai dar certo sempre. mas uma fé mais prática. uma fé de sobrevivência. a fé de que, de alguma forma, amanhã vai aparecer mais uma solução improvisada, mais um pequeno truque, mais um milagre de baixa escala.
talvez ser adulto seja exatamente isso.
aprender a fazer alguns milagres pequenos enquanto finge que está tudo sob controle.
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