
algumas previsões na vida não exigem nenhum tipo de talento especial. basta um pouco de honestidade com a própria irresponsabilidade da noite anterior.
como eu fui dormir quase cinco da manhã, já existia um consenso silencioso dentro da minha cabeça de que o sábado dificilmente começaria cedo. e foi exatamente o que aconteceu. acordamos tarde, sem nenhum tipo de surpresa, como se o próprio corpo tivesse decidido cobrar a conta das decisões da madrugada.
um casal de amigos nos convidou para almoçar em um restaurante de praia. são os mesmos amigos que me receberam na casa deles durante o carnaval, então já existe ali aquela sensação confortável de reencontro, de familiaridade, de gente que a gente gosta de ver. o restaurante era incrível, daqueles lugares que parecem ter sido desenhados para fazer a pessoa esquecer um pouco da pressa do mundo. almoço bom, conversa boa, mar ali por perto lembrando que a vida também pode ser simples.
depois voltamos e, como manda a tradição não oficial dos fins de semana na praia, acabamos dormindo no final da tarde.
foi aí que descobri que o john ficou um pouco chateado. ele queria ter aproveitado mais o dia. e eu entendo perfeitamente. quando a gente viaja, existe sempre aquela expectativa de viver tudo, ver tudo, aproveitar cada minuto. só que o corpo, às vezes, tem outros planos. principalmente quando alguém resolveu dormir às cinco da manhã como se isso não tivesse consequências.
mais tarde fomos novamente para a casa desse mesmo casal de amigos. dessa vez o plano era simples e absolutamente perfeito: pizza feita em casa.
e talvez seja isso que torna certos dias bons de verdade. não são grandes eventos, não são coisas extraordinárias. é simplesmente estar sentado numa casa, comendo pizza, conversando, rindo, dividindo histórias.
estávamos ali eu, john, esse casal de amigos e também a nica e o kiko, que são os amigos que estão nos recebendo na casa onde estamos hospedados.
no fim das contas, passar tempo com amigos continua sendo uma das coisas mais simples e mais maravilhosas que existem.
porque, pra mim, se sentir em casa é muito mais com quem você está do que onde você está. e eu estava exatamente onde eu queria e deveria estar. eu estava em casa.
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