dia 67/365.



acordamos decididos a aproveitar o domingo de verdade. depois de um sábado meio preguiçoso, daqueles que começam tarde e vão acontecendo sem muita pressa, parecia justo fazer o oposto. levantar, sair e realmente usar o dia.

fomos para a praia do jabaquara.

não é a praia mais fácil de chegar. aliás, talvez seja exatamente por isso que ela seja tão especial. o acesso exige um pouco mais de disposição, um pouco mais de vontade de chegar até lá. mas quando você finalmente chega, entende imediatamente que vale a pena. a praia é simplesmente maravilhosa. daquelas que fazem a gente parar por alguns segundos só olhando o mar e pensando que, às vezes, a vida também sabe ser generosa.

ficamos por lá até umas três da tarde.

curtimos a praia, o mar, o sol. nadamos, conversamos, rimos. aquele tipo de domingo que parece simples por fora, mas que por dentro vai reorganizando as coisas. fiz amizades ali também, como quase sempre acontece quando as pessoas estão relaxadas o suficiente para conversar com desconhecidos como se já se conhecessem há anos.

e havia um detalhe que fez tudo ficar ainda melhor.

não tinha sinal de celular.

nenhum.

nem internet, nem wifi, nem aquela tentação silenciosa de pegar o telefone a cada cinco minutos para ver alguma coisa que provavelmente não mudaria nada na vida. era só a praia, as pessoas, o barulho do mar e o tempo passando sem pressa.

quando voltamos para casa já estávamos completamente exaustos. aquele cansaço bom, físico, de quem realmente usou o dia. descansamos um pouco e mais tarde saímos para jantar com o fábio e a roberta, o mesmo casal com quem passamos o carnaval e com quem tínhamos ido fazer pizza na casa deles no dia anterior.

em algum momento da conversa o fábio resolveu dizer para a garçonete que eu era filho deles. não sei exatamente o que na nossa dinâmica fez essa ideia parecer plausível, mas o fato é que a história foi contada com tanta naturalidade que eu quase comecei a acreditar também.

depois do jantar começamos a subida tranquila da praia, voltando para mauá.

a viagem seguiu calma, silenciosa, com alguns pontos de chuva aqui e ali. talvez fosse o mundo chorando por quem não queria voltar pra rotina.

quando finalmente chegamos, já tinha passado da meia-noite. mas ainda não estávamos em casa, teve algo que nos fez parar, ligeiramente desviar o caminho. e foi ali que algo começou a acontecer. algo que realmente mudaria algumas coisas na minha vida e na do john.

e eu acho que o que aconteceu depois merece um dia próprio.


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