
o acidente de ontem começou a ganhar vida própria.
mensagens chegando o dia inteiro. gente que viu, gente que ouviu falar, gente que simplesmente sentiu que precisava mandar alguma coisa. apoio, preocupação, carinho. é estranho como um momento pode atravessar tantas pessoas ao mesmo tempo.
eu ainda estou tentando atravessar ele.
falar do acidente em voz alta ainda me desmonta um pouco. não é choro escancarado, daqueles de novela. é mais silencioso. a voz dá uma falhada, o peito aperta, os olhos ficam cheios antes mesmo de eu perceber.
ver a morte de perto deixa uma marca estranha. não é exatamente medo. é mais uma consciência incômoda de que a linha entre estar aqui e não estar é muito mais fina do que a gente gosta de admitir.
talvez por isso hoje eu tenha começado uma terapia diferente. claro, isso já estava marcado há semanas. mas eu não acredito em coincidências. não acredito em acaso. eu acredito que algumas coisas acontecem exatamente da forma e na hora em que precisam acontecer.
acupuntura, respiração, essas coisas que fogem um pouco do que eu normalmente faria. não sei explicar direito. talvez seja só uma tentativa do corpo de encontrar algum equilíbrio depois do susto. ou talvez, mais uma vez, deus tenha colocado as coisas no lugar certo, do jeito certo, na hora certa. vai saber.
a verdade é que eu ainda estou me recuperando.
por enquanto, sigo falando devagar sobre o que aconteceu.
e aprendendo que algumas experiências não passam no dia seguinte.
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