
hoje fomos almoçar no clube que meu bisavô fundou. sempre tem alguma coisa curiosa nessa ideia de sentar para comer num lugar que, de certa forma, também é parte da história da própria família. aquele tipo de almoço tranquilo de sábado, sem grandes planos além de comer alguma coisa e deixar o dia passar devagar.
o prato do dia era feijoada. e eu fui completamente enganado pela expectativa.
na minha cabeça viria aquela feijoada elegante, em uma tigelinha simpática, talvez acompanhada de algumas coisinhas ao lado. uma porção civilizada. educada. algo que permitisse uma relação saudável entre o almoço e eu.
mas não. veio um prato feito. um prato montado daqueles respeitáveis, completos, com presença. um prato que olha para você e diz: agora você resolve isso aqui. era lindo, de verdade, mas era… pouco.
eu fiquei alguns segundos olhando para aquela situação, avaliando minhas opções. trocar o prato? fingir algum tipo de erro logístico? começar a chorar discretamente?
porque na minha cabeça só vinha um pensamento: meu deus, eu sou taurino. isso aqui não vai nem forrar meu estômago. eu amo feijoada. eu comeria uns cinco desses sem dificuldade nenhuma. no final eu fiz o que qualquer pessoa minimamente sensata faria: comi. e estava deliciosa. mas eu só conseguia pensar que eu ia ficar com fome. e claro, eu fiquei. passei o resto do dia pensando que eu deveria ter pedido a macarronada com molho bechamel e linguado.
depois do almoço fui cortar o cabelo. e ali começou a parte mais leve do dia. eu dei muitas risadas. eu amo minha cabeleireira. a esposa dela estava lá também e o ambiente virou quase uma pequena reunião informal, conversa vai, conversa vem, histórias, comentários aleatórios sobre a vida.
o john estava junto e entrou completamente em modo economia de energia. ele dormiu na cadeira. várias vezes. em alguns momentos eu tenho quase certeza de que ele estava sonhando. era só a conversa diminuir um pouco que ele simplesmente desligava.
à noite pedimos pizza e assistimos nosso lar 2. eu já tinha assistido antes, mas foi bom ver de novo. principalmente agora. em um momento em que eu tenho precisado muito fortalecer a minha fé e lembrar que existe algo maior sustentando as coisas quando a vida aqui embaixo resolve entrar em modo montanha-russa.
às vezes a gente precisa dessas pequenas pausas. um almoço simples, algumas risadas, um filme que lembra que a vida não termina exatamente onde a gente acha que termina.
e hoje foi um desses dias.
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