
hoje foi um daqueles dias em que o corpo simplesmente decide parar. acordei com enxaqueca e passei praticamente o dia inteiro na cama. não foi uma escolha estratégica de descanso, nem um domingo preguiçoso planejado. foi mais o meu organismo levantando uma placa bem grande escrito: chega.
às vezes a gente tenta empurrar o corpo como se ele fosse uma máquina obediente. agenda cheia, preocupações, coisas acontecendo ao mesmo tempo, cabeça funcionando sem parar… até que em algum momento o próprio corpo resolve puxar o freio de mão. e aí não tem argumento que convença. não tem café que resolva. não tem boa vontade que negocie com uma enxaqueca.
então eu fiquei ali, quieto, esperando o mundo parar de girar dentro da minha cabeça.
à noite, quando já estava um pouco melhor, fui cozinhar para a minha mãe. é um ritual que eu mantenho aos finais de semana. mesmo nos dias mais atravessados, de algum jeito eu acabo indo para a cozinha.
mas hoje veio junto aquela sensação meio amarga que às vezes aparece quando penso na dinâmica da minha própria família.
eu não sei se a minha mãe gosta de criar pequenas intrigas entre meus irmãos e eu. ou se, simplesmente, essa família sempre funcionou de um jeito meio estranho. um sistema em que cada um parece mais preocupado em criticar, apontar defeito ou atravessar o caminho do outro do que realmente ajudar quando alguém precisa.
não é um pensamento bonito. mas é um pensamento honesto.
porque com o tempo a gente vai percebendo algumas coisas que ninguém ensina quando a gente é criança: família nem sempre é sinônimo de apoio. nem sempre é o lugar seguro que a gente imagina. às vezes é só o lugar onde as pessoas compartilham o mesmo sobrenome… e pouco mais do que isso.
e talvez uma das partes mais difíceis da vida adulta seja justamente aceitar essa realidade sem deixar que ela endureça completamente o nosso coração.
Deixe um comentário