
as coisas começaram a se resolver. de uma forma ou de outra. devagar. bem devagar. daquele jeito que quase dá raiva, porque você quer que tudo se encaixe de uma vez, mas a vida vai lá e resolve fazer no ritmo dela, peça por peça, como se estivesse testando a sua paciência.
e, no meio disso tudo, eu também tomei algumas decisões. não foi nada muito grandioso, nada cinematográfico, mas foram aquelas decisões internas que mudam o jeito que você se posiciona diante das coisas. às vezes não é sobre mudar o cenário, é sobre mudar a forma como você atravessa ele.
porque, de alguma forma, mesmo com tudo parecendo meio caótico, aquela cara clássica de segunda-feira em que tudo resolve acontecer ao mesmo tempo, eu me mantive calmo. estranhamente calmo. e isso me chamou atenção.
não era negação. não era cansaço. era… outra coisa.
e eu comecei a pensar.
eu sobrevivi àquele acidente.
e só eu sei o quanto eu sobrevivi.
só eu sei o que eu vi ali. só eu sei o que passou pela minha cabeça naquele momento. tem coisas que não dá pra explicar direito, não dá pra traduzir, não dá pra colocar em palavras bonitas. você só… sabe.
e, pra mim, aquilo foi um milagre.
então eu decidi respeitar a ordem das coisas. parar de tentar controlar tudo no detalhe, no tempo, na força. confiar mais. confiar em deus, na espiritualidade, no fato de que as coisas acontecem como têm que acontecer, quando têm que acontecer.
não existe nada fora dessa conta. não existe nada solto.
eu vou confiar que ele cuida.
que existe um cuidado maior acontecendo, mesmo quando eu não entendo, mesmo quando parece bagunçado, mesmo quando dá medo.
e vou aceitar o processo. com resignação, com resiliência, com fé, com a cabeça erguida.
porque, no fundo, eu sei.
uma hora, tudo vai dar certo.
no trabalho, na vida, em tudo.
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