
eu queria entender qual foi o momento exato da evolução humana em que alguém decidiu que o certo era acordar antes do sol. porque, sinceramente, meu corpo não concordou com essa atualização. nunca aceitou. nunca vai aceitar.
tem gente que jura que acordar cedo “faz bem”. eu fico pensando se essas pessoas já foram verdadeiramente felizes. porque eu, quando acordo cedo, não viro uma pessoa produtiva, iluminada, conectada com o universo. eu viro um panda com crise existencial, tentando lembrar meu próprio nome enquanto a luz do quarto me agride.
e é quase humilhante ver como tem gente que desperta às 6h com vontade de viver. eu acordo às 6h com vontade de processar quem inventou as 6h.
mas a verdade é que acordar cedo parece uma negociação diária com deus:
“senhor, eu prometo que hoje vai dar certo, só me deixa abrir o olho devagar.”
e deus, firme, diz: “levanta, meu filho.”
e eu, rebelde, respondo: “mais cinco minutinhos.”
esses cinco viram vinte, que viram atraso, que viram corrida, que viram eu questionando a minha própria existência antes do café.
e o mais curioso é que, quando a gente cresce, descobre que acordar cedo não é mais uma opção — é uma obrigação silenciosa que define a vida adulta. você pode até odiar, mas continua fazendo. igual imposto. igual reunião que poderia ser um e-mail. igual gente que manda áudio de cinco minutos às 7h da manhã.
no fundo, acho que acordar cedo dói porque é o primeiro lembrete do dia de que a vida não está no nosso controle.
o despertador toca e a gente entende:
“é isso. de novo.”
levantar é quase um ato de coragem.
às vezes, até de fé.
e ainda assim, a gente vai. meio torto, meio atrasado, meio sonâmbulo, mas vai. porque, mesmo odiando acordar cedo, a gente aprendeu a fazer o que precisa ser feito.
o problema é só um: ninguém pergunta se a gente queria.
@enricopierroofc
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