
tem dias que são assim. e se você me perguntar como eles são, eu apenas direi: assim.
eu escrevi um livro chamado as marés do meu ser. porque eu comparava muito a minha vida com uma maré, mesmo. essa coisa de ficar indo e vindo, subindo e descendo. reparou como isso tem acontecido nos últimos dias? na verdade eu acho que até ocultei várias coisas, mais pessoais, mais cruas, que vêm acontecendo. detalhes que talvez não façam tanto sentido pra quem lê.
mas eu, hoje, quero deixar claro algumas coisas que talvez tenham escapado nessas linhas. desde o dia do meu acidente, uma espiral de problemas parece ter me atingido. imagina que você está na sua casa, ou andando em uma rua tranquila e, do nada, do mais absoluto nada, vem um tornado. primeiro o vento forte e depois aquele redemoinho absurdo que pega você e faz você girar e girar e girar sem parar. te deixando totalmente atordoado. bom, acho que essa seria uma boa metáfora. porque teve o acidente e depois foram várias coisas seguidas que foram acontecendo. dia após dia. e não foram coisas muito simples. todas muito centradas na questão trabalho, misturadas com a vida pessoal, porque minha vida profissional e pessoal acaba se misturando demais. o que é normal pra quem tem uma empresa, eu acho, e precisa lidar com os problemas até quando não está, tecnicamente, trabalhando. e muitos desses problemas acabaram atingindo minha vida pessoal também. claro, não quero entrar nos detalhes, não cabe, não importa, mas só queria frisar.
eu tive, sim, muitos motivos pra falar chega. pra desistir. pra chorar. pra pedir pra sair. eu nem sei quantas formas de explicar aqui tudo o que eu poderia ter feito pra falar que eu poderia ter jogado a toalha, falado que não aguentava mais e etc. mas eu fiz isso? inexplicavelmente não. ao contrário. por mais cansado que eu fosse me sentindo com o passar dos dias, eu levantei a cabeça e tentei. mas eu devo tudo isso ao john. porque se não fosse ele na ponta, segurando todos os problemas e ajudando a resolver de um lado enquanto eu resolvia outros problemas do outro, eu realmente não sei te falar o que poderia ter acontecido. eu teria conseguido lidar? teria resolvido ou enfrentado? difícil dizer. seriam hipóteses. mas se eu tivesse que responder, hoje, eu diria que não. e acho que ele até sabe disso.
mas tudo se conecta também com uma palavra, que eu tenho falado muito aqui, que é a fé. porque mesmo o john fazendo muito mais do que precisava, porque nada disso em absoluto era responsabilidade dele, eu consegui manter uma calma que até ele sabe que eu nunca tive. uma certa serenidade, até, que eu não apresentei nem com problemas menores. e ao que devo isso? eu posso dizer que ao centro que voltei a frequentar, à espiritualidade, a muitas coisas, mas eu resumo tudo com essa palavra pequena: fé. esse lugar que não cabem dúvidas, nem questionamentos. apenas certezas, tranquilidade, serenidade e confiança.
é fácil? jamais. e te digo que as coisas que tenho passado, eu não desejo, do fundo do meu coração, pra ninguém. nem pra desafetos. certas coisas ninguém merece mesmo. a maldade humana muitas vezes não tem limites. e isso vem de muitos lugares, até dentro do seio familiar. mas você nunca pode deixar que ninguém te derrube o olhar ou te baixe a cabeça. lembrar do evangelho e das coisas que jesus falou, não é besteira e nem fanatismo. lembre-se sempre que amar a deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo, tem uma lição que pouco damos valor. para amar ao próximo de verdade, precisamos primeiro amar a nós mesmos. e amar a si mesmo é, talvez, a lição mais difícil que já nos foi dada.
hoje eu tive várias lições. vários aprendizados. ainda estou nessa aula que espero acabar em breve. eu não estou aqui pra me lamentar e muito menos me fazer de vítima, pelo contrário. quero deixar claro, pra você, pra mim e pro mundo, que eu vou enfrentar, sim, tudo isso, porque eu tenho a pessoa mais incrível do mundo do meu lado e, acima de mim, me olhando e guiando. o que mais eu precisaria? o resto eu tenho dentro de mim. e tem duas frases que eu gosto muito e mantenho firmes na mente e no espírito. elas podem até não fazer muito sentido pra você, mas se você pensar bem, eu tenho certeza de que farão:
eu sou a chuva que lança a areia do saara sobre os automóveis de roma. e eu não sou responsável pela evolução espiritual de ninguém, a não ser a minha.
hoje é dia de levantar a cabeça, de novo. olhar pra frente e ver se tem gente que ainda luta por mim, eu também nunca vou deixar de lutar.
obrigado e até amanhã.
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