
eu fiz um acordo com o john. quase um pacto, na verdade. de não sairmos de casa no final de semana. aquele tipo de decisão que a gente toma com convicção, mas já sabendo, lá no fundo, que não vai durar muito. mas tudo bem. não custa nada tentar.
eu acordei tecnicamente tarde. ou cedo, dependendo do ponto de vista e do nível de cobrança que você decide aplicar sobre si mesmo. fui colocando algumas coisas em ordem, naquele ritmo meio arrastado de quem ainda está tentando voltar pro próprio eixo, enquanto o john já estava no modo oposto, colocando a casa abaixo pra depois levantar tudo de novo. dinâmicas diferentes, mas que de algum jeito sempre se encontram no meio.
e, como já era de se esperar, os compromissos começaram a aparecer.
um aqui, outro ali. uma mensagem, um convite, uma “lembrança” de algo que já estava marcado e que, convenientemente, a gente esquece até o último momento. quando vê, o dia já não é mais nosso. ele vai sendo tomado, pedaço por pedaço, por coisas que, tecnicamente, fazem sentido… mas que, na prática, a gente nem sempre quer viver.
e nem é que o dia seja ruim.
o problema, eu acho, é outro. é perceber o quanto do nosso tempo a gente passa vivendo de verdade e o quanto a gente passa apenas cumprindo agenda. ocupando espaços que não são exatamente nossos, participando de momentos que, se a gente pudesse escolher com absoluta sinceridade, talvez não escolhesse.
existe uma diferença grande entre estar e querer estar.
e, muitas vezes, a gente está só porque existe uma expectativa. uma obrigação silenciosa. aquele tipo de compromisso que vem carregado de um “se eu não for…” seguido de alguma consequência emocional completamente desproporcional. e aí a gente vai. não por vontade, mas por manutenção.
manutenção de relações. manutenção de imagem. manutenção de uma convivência que, às vezes, parece mais um contrato do que um vínculo de verdade.
e, no meio disso tudo, o final de semana que era pra ser um respiro vai virando só uma extensão disfarçada da semana.
talvez o verdadeiro desafio não seja conseguir ficar em casa.
talvez seja conseguir escolher, de verdade, onde a gente quer estar.
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