dia 81/365.



se alguém esperava alguma coisa de mim nesse domingo, sinto muito. desprecise.

entre acordar às 4h40 da manhã, dormir às 7h, acordar às 8h15 pra tomar café, voltar a dormir às 11h e depois acordar às 16h, eu acredito que não tenha sobrado muito tempo. nem ânimo. nem vontade de fazer absolutamente nada que não fosse uma tentativa preguiçosa de existir sob o que ainda restava de sol. e, ainda assim, isso já exigia um nível de esforço que eu não estava exatamente disposto a oferecer.

eu acordei, se é que dá pra chamar isso de acordar, ainda com sono. aquela sensação meio confusa de estar de pé, mas não exatamente funcionando. e a única pergunta que passava pela minha cabeça era: por que eu estou levantando se existe uma vontade muito mais forte de simplesmente continuar até segunda-feira direto?

mas a vida, como sempre, não funciona nesse esquema.

existe rotina. existe responsabilidade. e, no meu caso, existe o jantar da minha mãe no final de semana. e, aparentemente, hambúrgueres já estavam sendo descongelados, o que transforma qualquer tentativa de sumiço em algo completamente inviável.

e tem uma coisa curiosa sobre acordar às 16h, mesmo sendo domingo.

vem sempre aquela sensação meio incômoda, meio silenciosa, de que você está desperdiçando um tempo precioso da sua vida. como se existisse uma régua invisível dizendo que viver direito significa estar em movimento, produzindo alguma coisa, criando memórias dignas de postagem, aproveitando o dia como se ele fosse um comercial de energético com trilha sonora animada e filtro bonito.

e aí você começa a se comparar.

com as fotos. com os stories. com a vida aparentemente impecável dos outros. gente viajando, saindo, vivendo intensamente, sempre fazendo alguma coisa que parece melhor do que simplesmente… descansar.

mas, sendo bem honesto, metade daquilo não é real.

tem gente que nem queria estar ali. tem gente que está usando foto antiga. tem gente editando, encenando, montando uma versão da própria vida que funciona muito bem na tela, mas não necessariamente fora dela. e, mesmo assim, a pressão existe.

a sensação de que você deveria estar fazendo mais. sendo mais. vivendo mais.

quando, na prática, às vezes tudo o que o corpo pede é parar.

e hoje foi isso.

não teve produtividade. não teve grandes acontecimentos. não teve nada digno de destaque, se você olhar de fora.

mas, por dentro, talvez tenha sido exatamente o que eu precisava.


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