
segunda-feira sempre tem alguma coisa diferente. não sei explicar exatamente o que é, mas tem. talvez seja o peso simbólico de recomeçar, de olhar pra tudo de novo, de lembrar que a vida não pausou no final de semana. ela só deu um pequeno intervalo e já voltou exigindo escolhas, decisão, energia. e nem sempre a gente tem isso tudo disponível.
ontem foi um desses dias.
eu até tentei escrever, sentei, abri, pensei… mas não veio. a única coisa que consegui anotar foi: “dia desanimado”. e, por mais que eu pudesse desenvolver isso, transformar em texto, em reflexão, em qualquer coisa que parecesse minimamente interessante, não faria sentido. porque o desânimo, quando ele é real, ele não quer ser explicado. ele só quer existir.
então eu deixei pra lá.
mas hoje, olhando com um pouco mais de distância, algumas coisas começaram a fazer mais sentido. ou, pelo menos, começaram a se organizar de uma forma que eu consegui encarar melhor.
e duas perguntas ficaram na minha cabeça.
será que eu estou nadando pra sempre morrer na praia?
porque, às vezes, a sensação é exatamente essa. de esforço contínuo, de tentativa constante, de estar sempre fazendo alguma coisa, se movimentando, resolvendo, insistindo… e, ainda assim, sem a garantia de que isso vai levar a algum lugar. como se todo o caminho fosse feito de expectativa e o resultado fosse sempre incerto demais.
e isso cansa.
cansa de um jeito que não é físico. é um cansaço de repetição. de tentativa. de não saber se você está construindo alguma coisa ou só se mantendo em movimento pra não afundar.
e aí vem a outra pergunta.
será que meus sonhos são, na verdade, ilusões?
porque sonhar é bonito enquanto parece possível. enquanto existe alguma evidência, algum sinal, alguma resposta que sustente aquilo. mas quando as coisas começam a demorar demais, a falhar demais, a escapar demais… a linha entre sonho e ilusão fica muito mais fina do que a gente gostaria de admitir.
e ninguém ensina a lidar com isso.
ninguém ensina o que fazer quando você começa a duvidar não só do caminho, mas do próprio motivo que te fez começar.
talvez seja por isso que segunda-feira pesa mais.
porque ela não vem só com tarefas. ela vem com cobrança. com comparação. com aquela sensação de que você precisa estar em um lugar que, às vezes, você nem sabe mais qual é.
mas, mesmo com tudo isso, tem uma coisa que eu não consigo ignorar.
eu continuo aqui.
mesmo nos dias em que eu não consigo escrever. mesmo nos dias em que eu só consigo resumir tudo em “desânimo”. mesmo quando as perguntas parecem maiores do que as respostas.
eu continuo.
e talvez isso diga mais do que qualquer certeza.
porque, no meio de toda dúvida, de todo cansaço, de toda essa sensação de estar nadando sem saber exatamente onde vai dar, ainda existe alguma coisa que me faz não parar.
chame de teimosia. chame de insistência. chame de fé. chame de taurino cabeça dura com fome.
eu prefiro chamar de fé.
porque, no fim das contas, é isso que sustenta quando nada mais parece suficiente. é isso que segura quando a lógica não explica, quando os resultados não aparecem, quando o caminho parece longo demais.
a fé não responde tudo.
mas ela mantém a gente em movimento.
e, às vezes, é exatamente isso que faz com que, em algum momento, as coisas comecem a dar certo.
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