dia 86/365.



sexta foi uma montanha russa daquelas que você não escolhe entrar, mas quando percebe já está no meio do percurso, sem muito o que fazer além de segurar e ir. o dia começou bem, até leve, dentro do possível. aquela sensação rara de que talvez, só talvez, as coisas estivessem começando a entrar no lugar. não tudo, claro, mas o suficiente pra dar um pouco de fôlego.

aí vieram as notícias ruins. daquelas que não derrubam tudo de uma vez, mas que tiram um pouco do eixo, deslocam o que parecia minimamente estável. nada catastrófico, mas suficiente pra bagunçar o raciocínio, pra fazer recalcular rota, rever expectativa, ajustar o que já estava desenhado na cabeça. e ficar ligeiramente preocupado com o futuro.

e, como se o dia estivesse decidido a não ser linear em nenhum momento, depois disso começaram a surgir alguns sinais de que as coisas poderiam, sim, começar a se encaixar. pequenas resoluções, algumas respostas, aquela sensação de que nem tudo está perdido, de que existe algum movimento acontecendo, ainda que tímido, ainda que longe do ideal. é estranho como, às vezes, o mesmo dia consegue carregar extremos tão diferentes sem dar aviso.

e no meio disso tudo, chegou a noite.

o jantar de sexta na casa da minha mãe, que já virou quase um ritual. as mesmas pessoas, a mesma mesa, o mesmo ambiente que, por algum motivo, sempre parece oferecer uma espécie de pausa. não necessariamente uma solução, mas um intervalo. como se, por algumas horas, fosse permitido sair um pouco do modo resolução de problemas e simplesmente existir ali.

eu já cheguei mais animado, ou pelo menos mais disponível. não completamente leve, porque tem coisas que não se desligam com facilidade, mas com uma disposição diferente. talvez por tudo que o dia já tinha sido, talvez por precisar desse momento sem perceber.

e é curioso como esses encontros funcionam.

as conversas seguem, as risadas aparecem, alguém comenta alguma coisa aleatória, outro responde, e, de repente, você está participando, rindo junto, presente de um jeito que, algumas horas antes, parecia improvável. não porque os problemas deixaram de existir, mas porque eles, por um momento, deixam de ocupar todo o espaço.

não é sobre esquecer. é mais sobre dividir espaço dentro de si.

e talvez seja isso que sustenta.

porque, no fim das contas, dias como esse mostram que a vida não acontece de forma organizada, em blocos separados. o bom e o ruim não vêm em turnos definidos. eles se misturam, se alternam, se sobrepõem. e a gente vai aprendendo, meio na marra, a atravessar tudo isso sem precisar esperar o cenário perfeito pra conseguir respirar.

sexta foi assim.

intensa, confusa, um pouco cansativa, mas, de alguma forma, viva. e, no meio de tudo, eu consegui estar ali, à mesa, rindo, conversando, participando. pode não parecer grande coisa pra quem olha de fora, mas, pra mim, já fez diferença.


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