dia 87/365.



eu estou atrasado.

e não é só no diário. é uma sensação mais ampla, meio difícil de explicar sem parecer drama, mas também difícil de ignorar como se fosse pouca coisa. eu olho pros dias passando e tenho a impressão de que estou sempre correndo atrás de algo que já foi. como se o tempo estivesse sempre dois passos na minha frente e eu tentando alcançar com o cadarço desamarrado.

o diário virou quase um termômetro disso. quando eu começo a falhar aqui, eu sei que tem alguma coisa desorganizada dentro de mim. porque, no fundo, não é falta de tempo. nunca é. é outra coisa. é cansaço, é cabeça cheia, é aquela preguiça que não é exatamente preguiça, sabe? é mais um peso. como se tudo exigisse um pouco mais de esforço do que deveria.

e aí eu vou deixando pra depois. depois eu escrevo. depois eu sento. depois eu organizo. e quando eu vejo, passaram quatro dias.

o curioso é que eu me cobro, mas ao mesmo tempo eu sei exatamente o que está acontecendo. não é desleixo. é só a vida acontecendo num volume meio alto demais. coisa da fábrica, preocupação, dinheiro, um monte de coisa ao mesmo tempo. e no meio disso tudo, eu tentando manter as coisas que também são importantes pra mim. o diário é uma delas.

porque isso aqui não é só um compromisso de postar. é um jeito de me organizar por dentro. de parar um pouco e entender o que está acontecendo, nem que seja escrevendo meio no automático, meio no improviso, como agora.

talvez o atraso não seja exatamente o problema. talvez o problema seja eu achar que preciso estar sempre em dia com tudo, como se a vida fosse uma lista de tarefas que eu consigo simplesmente ticando uma por uma. não funciona assim. nunca funcionou.

mas, ainda assim, eu voltei.

e talvez seja isso que a gente esquece com facilidade: ninguém tá realmente em dia com a própria vida. tem sempre alguma coisa atrasada, alguma parte que a gente ainda não deu conta, algum pedaço que ficou pra depois.

a diferença é quem para… e quem, mesmo assim, continua.


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