dia 91/365.



engraçado como algumas datas passam carregadas de significado pra todo mundo, menos pra gente. primeiro de abril sempre foi esse dia meio bobo, cheio de piadinha bem “tio do pavê”, mentira leve, gente tentando ser engraçada a qualquer custo. só que, dessa vez, passou em branco. eu não vi nada. nenhuma brincadeira, nenhuma tentativa, nenhum exagero coletivo como costuma acontecer. e isso me chamou atenção. não sei se foi coincidência, se eu simplesmente não estava prestando atenção no mundo como deveria, ou se, de algum jeito estranho, o próprio dia resolveu respeitar o estado em que eu estava. como se até o caos lá fora tivesse dado uma pausa pra eu sofrer direito.

e não é que as coisas tenham melhorado de verdade. também não pioraram de forma evidente. ficou tudo meio… suspenso, sabe? aquele tipo de dia que não anda pra frente, mas também não desaba. só existe. e, às vezes, isso já é o suficiente pra confundir. porque quando não melhora, a gente espera pelo menos um sinal claro de piora pra entender onde está pisando. mas quando fica nesse meio termo, parece que você está andando sem saber exatamente em que direção.

o feriado estava chegando, e isso deveria trazer algum tipo de alívio. uma pausa, um respiro, uma chance de sair um pouco do ritmo que vem me desgastando. só que, junto com essa ideia de descanso, veio um pacote inteiro de coisas que eu não queria sentir. viagem, pra mim, nunca é só viagem. vem ansiedade, vem um aperto estranho, uma sensação de que tem alguma coisa que eu não vou dar conta, que eu não vou conseguir resolver tudo antes de sair, que eu estou deixando pontas soltas demais. é como se eu nunca conseguisse simplesmente ir. eu sempre levo um peso junto. e a cada segundo que passa eu sinto que estou a um passo mais perto de desistir.

e dessa vez tem mais uma camada. o acidente ainda está recente, e a ausência do carro não é só prática, é emocional também. mexe com a sensação de autonomia, de controle, de segurança. parece pequeno olhando de fora, mas, por dentro, soma. soma com tudo que já estava ali. e aí a cabeça faz o que ela sabe fazer de melhor quando não está bem: começa a criar narrativa. começa a juntar tudo e transformar em uma ideia maior, quase como se existisse uma força organizando os problemas contra mim. eu sei que não é real. eu sei que pensar assim só piora. mas saber nem sempre impede de sentir.

talvez o mais honesto que eu consiga dizer sobre hoje é isso: eu estou cansado de pensar. não é nem sobre resolver, nem sobre entender profundamente cada coisa. é sobre esse fluxo constante de pensamentos que não desliga, que analisa, antecipa, projeta, complica. eu sinto que, se eu conseguisse diminuir isso pela metade, muita coisa já ficaria mais leve. não porque os problemas sumiriam, mas porque eles deixariam de ocupar cada espaço possível dentro de mim como se fosse um armário de gavetas quase infinitas.

mesmo assim, apesar desse ruído todo, o dia passou. sem grandes acontecimentos, sem virada, sem alívio marcante. mas também sem queda. e talvez exista alguma coisa importante nisso, mesmo que eu ainda não saiba exatamente o quê. porque, depois de um dia como o de ontem, não piorar já tem um peso diferente. é quase como se o corpo e a mente tivessem decidido, silenciosamente, segurar um pouco mais.

eu ainda não estou bem. mas também não estou indo pra onde estava indo. e, nesse momento, isso é o que eu preciso pra seguir em frente só mais um dia.


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