
véspera de feriado costuma ter um gosto diferente. uma mistura de expectativa com urgência, como se o tempo resolvesse correr mais rápido justamente quando você mais precisa que ele desacelere, ou que pelo menos você consiga ter tempo de fazer o que precisa. e hoje nada deu trégua. trabalho acumulando, demandas surgindo em cima da hora, pequenas coisas virando grandes obstáculos. parecia que o dia tinha decidido testar até onde eu aguentava.
e, no meio disso tudo, a viagem se aproximando. o que deveria ser um alívio virou mais uma fonte de ansiedade. aquela sensação de que eu não vou dar conta de organizar tudo, de que estou esquecendo alguma coisa importante, de que sair agora talvez seja mais complicado do que deveria. minha cabeça começou a girar mais rápido do que o dia em si. pensamentos indo e voltando, criando cenários, antecipando problemas que nem aconteceram.
e quanto mais eu tentava resolver tudo, mais parecia que surgia alguma coisa nova. como se não existisse um ponto de fechamento. como se eu estivesse correndo atrás de um fim que não chegava nunca.
teve um momento em que eu parei. não porque estava tudo resolvido, longe disso, mas porque eu simplesmente não tinha mais de onde tirar energia. e foi ali, nesse meio do caos, que uma coisa ficou clara de um jeito muito simples: desistir não era uma opção. não por força, nem por motivação do tipo coach de instagram. mas porque eu precisava sair daqui. eu precisava respirar. precisava mudar de cenário, de ritmo, de sensação.
não era sobre a viagem ser perfeita. era sobre ela acontecer.
e aí, pela primeira vez no dia, o pensamento não veio pra complicar, veio pra aliviar. eu sabia que, no momento em que eu entrasse no carro, alguma coisa ia mudar. não os problemas, não a realidade, não tudo de uma vez. mas a forma como eu ia sentir aquilo. como se existisse um limite entre o agora e o depois, e esse limite fosse só dar a partida.
o dia continuou pesado. as coisas não se resolveram magicamente. eu ainda me senti pressionado, ansioso, cansado. mas, junto disso, começou a existir uma certeza quieta, quase como um fundo estável por trás do barulho todo: eu vou e nada vai me impedir.
e, às vezes, é só isso que a gente precisa. não de controle, não de garantia, não de paz imediata. só de um próximo passo que faça sentido. porque pra mim, a vida é feita de próximos passos.
e tudo foi o suficiente para eu entrar no carro.
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